Monografia | AC  
Faça aqui seu orçamento !
Contatos
MONOGRAFIA ACAprenda sobre Monografia prontaDissertação de MestradoProjeto de PesquisaFormatacao ABNTArtigo CientificoQualidade MonográficaInvestimento em MonografiasEntre em Contato Conosco

PIODERMITE CANINA

 

Feed da Monografia ACTwitter da Monografia ACPerfil Facebook

VOLTAR PARA MAIS TEMAS DE MONOGRAFIAS E PROJETO DE PESQUISA DE VETERINÁRIA

RESUMO DA MONOGRAFIA

O termo piodermite (pio = pus; derma = pele), refere-se à infecção bacteriana da pele. Em dermatologia veterinaria, poucas entidades clínicas apresentam um leque tão amplo de formas de apresentação, dependendo de fatores tão variáveis como a cronicidade, profundidade da lesão, tipo de pelo, raça do animal afetado, entre outros fatores. A piodermite é uma das causas mais comuns de doença cutânea em cães, não sendo assim por exemplo no caso de felinos ou equinos. Os motivos desta maior predisposição canina são ainda hoje objeto de estudo (estrato córneo mais delgado, ausência da tampa folicular na entrada do folículo piloso canino, pH cutâneo mais elevado, escassez de lipídios intercelulares).

Palavras-chave: Piodermite, Dermatite Canina, Dermatologia

INTRODUÇÃO DO ARTIGO CIENTÍFICO OU DO TCC

A piodermite é a dermopatia que com maior freqüência se diagnostica na clínica canina (LORENZ, 2002). O principal agente etiológico isolado das lesões é Staphylococcus intermedius, ainda que sua freqüência varia com os estudos, desde 75,7% até 91,6%, passando por valores de 83% e 85,5% (SALZO, 2005).

Outros microorganismos participantes incluem outros Staphylococcus spp, Pseudomonas sp., Acinetobacter sp., enterobacteriáceas como E. coli, Proteus sp., Enterobacter sp., etc. Classicamente se classificaram as piodermites caninas segundo a profundidade que tenha a infecção. Os processos muito superficiais (pseudopiodermites) não requerem o uso de antibióticos sistêmicos, sendo suficiente a aplicação de tópicos e o controle dos fatores causadores.

No entanto, é necessário um tratamento antibiótico sistêmico nas piodermites superficiais (impetigo, foliculite), ao menos nas extensas, e nas profundas (furunculoses, celulites, pododermatitie). (SPINOSA, 2006)

Não se deve esquecer que os antibióticos sistêmicos são somente uma parte da terapia, já que para uma adequada resolução destes processos se deve sempre eliminar ou controlar os fatores predisponentes e/ou causadores (sarnas, alergias, etc), sendo de uma ajuda inestimável a aplicação de banhos com anti-sépticos.

A eleição do tratamento é empírica nos casos não complicados (a grande maioria), sendo essencial o estudo do agente etiológico e da evolução diagnóstica do quadro para a melhor abordagem.

Assim, por sua amplitude, esta pesquisa monográfica visa o estudo das piodermites, seus agentes, modelos diagnósticos e aproximações terapêuticas.

1. A PIODERMITE CANINA

1.1. CONCEITOS DEFINITÓRIOS

A piodermite é a segunda doença cutânea mais comum em cães, perdendo somente para a dermatite alérgica por pulgas segundo estudos epidemiológicos realizados nos EUA e é das doenças mais comuns na clínica de pequenos animais em todo o mundo. A piodermite recorrente é definida como a infecção bacteriana repetida que responde de forma completa ao tratamento antibacteriano sistêmico e tópico, deixando o animal aparentemente normal entre episódios. Muitos cães com problemas respondem de forma apropriada ao tratamento inicial e a piodermite não recidiva. Uma percentagem desconhecida de caninos com piodermite recai depois de uma recuperação aparentemente completa. (COELHO, 2006)

A piodermite superficial e de superfície recorrente é bem mais comum do que a piodermite profunda recorrente. O excessivo desenvolvimento bacteriano recorrente também é muito comum, sobretudo em animais com doença cutânea alérgica. Muitos casos aparentes de piodermite profunda recorrente são casos nos quais não se conseguiu nunca a cura completa.

1.2. Causas Subjacentes de Piodermites Recorrentes

DeBoer desenvolveu as subdivisões mais lógicas ao examinar as possíveis causas subjacentes da piodermite canina recorrente. Esta lista é uma adaptação de sua classificação.

Doença cutânea subjacente persistente
Hipersensibilidade bacteriana
Imunodeficiência
Cepas resistentes de Staphylococcus pseudintermedius (ou outros como Staphylococcus–S.schleiferi,S.aureus)
Piodermite não estafilocócica (CONCEIÇÃO, 2000)

Hipersensibilidade bacteriana

O conceito de 'hipersensibilidade bacteriana' continua sendo polêmico em dermatologia veterinaria. Ainda que não se acharam evidências diretas de relação causal, é provável que algumas das formas de inflamação e prurido intensos e autoperpetuados observadas em piodermites sejam conseqüência de hipersensibilidade a produtos bacterianos.

Diversos autores, tais como Morales, Schultz e DeBoer, corroboraram a associação entre os anticorpos antiestafilocócicos e vários subgrupos de piodermites caninas. (SCHULTZ, 2005)

Imunodeficiência

Apesar da atração conceitual, a imunodeficiência generalizada é uma causa rara de piodermite recorrente. Os transtornos da imunidade celular documentados mediante blastogênese linfocitária são extremamente raros.

A deficiência grave de IgA circulante é uma causa pouco frequente de infecções respiratórias e cutâneas.

Cepas resistentes de Staphylococcus spp.

As cepas multirresitentes de Staphylococcus pseudointemedius continuam sendo infreqüentes na clínica em grande parte do mundo. No entanto, há evidências importantes do aumento de sua freqüência. A resistência costuma advir pelo uso descontrolado de antibióticos de "primeira linha". (QUINN, 2005)

O tratamento das infecções estafilocócicas em animais domésticos se tornou mais problemático nos últimos 5 anos. Durante muitos anos, os veterinários se concentraram no tratamento das infecções causadas por Staphylococcus pseudintermedius em cães, gatos, cavalos e o restante dos animais domésticos e por Staphylococcus hyicus em porcos. Staphylococcus schleiferi (coagulase positivo ou negativo) via-se como patogênico infreqüente em caninos e pessoas. A outra espécie comum de estafilococo, Staphylococcus aureus ficou relegada à discussão de doenças em humanos.

Atualmente, Staphylococcus aureus está sendo identificado com maior freqüência como patogênico em animais domésticos e como causador de doença cutânea. (CAVALCANTI, 2005)

A resistência à meticilina (RM) complicou o uso de antibióticos em medicina humana. A RM se detecta com freqüência crescente em medicina veterinaria e terá um impacto substancial sobre a forma de tratamento das doenças cutâneas causadas por espécies estafilocócicas no futuro. Descreveu-se RM em Staphylococcus aureus (adquirido em hospital ou em comunidades HA-MRSA & CAMRSA), Staphylococcus pseudintermedius (MRSP), e Staphylococcus schleiferi (MRSS).

O tratamento empírico das infecções estafilocócicas foi a norma em dermatologia veterinaria, somente se fazendo cultivos dos casos refratários. É provável que isto tenha derivado na falta de identificação das cepas com RM.

Segundo Morris, a prevalência crescente de RM em animais domésticos poderia ser uma força evolutiva seletiva mais potente do que os fatores bacterianos específicos do hospedeiro como as características de adesão. É lógico e as inflexões de tal realidade são muitas. Em medicina humana, há evidências de que o uso de fluoroquinolonas pode iniciar uma RM potencializada em S.aureus. Em um artigo de Morris, a RM em S. pseudintermedius está aumentando e se caracteriza por uma maior resistência a fluoroquinolonas: Os antibióticos mais confiáveis frente a S.i RM neste artigo foram o cloranfenicol e as sulfonamidas concentradas. (MORRIS, 2004)

A RM em estafilococos que causam doença cutânea em animais domésticos segue sendo infreqüente. No entanto, pode que esteja mudando. Os grandes centros urbanos com várias faculdades de medicina e investigação biomédica extensa podem experimentar uma pressão antimicrobiana superior.

Alguns autores já recomendam o cultivo e antibiograma para todos os casos de piodermite que não responderam inicialmente ao tratamento antibiótico empírico apropriado, o que foge da prática vigente. (CAVALCANTI, 2005)

A piodermite não estafilocócica continua sendo pouco habitual como problema primário. O cultivo de organismos diferentes a Staphylococcus pseudintermedius costuma indicar a presença de invasores secundários ou contaminação ambiental do cultivo. Em ocasiões, detectam-se infecções causadas por Pseudomonas, Proteus, Escherichia coli, Enterobacter.

A furunculose pós-limpeza foi identificada na última década e cada vez se aprecia maior causalidade por parte de Pseudomonas aeruginosa. A doença cutânea subjacente persistente é, de longe, a causa documentada com maior freqüência de piodermite recorrente canina. As causas mais frequentes incluem as doenças alérgicas não parasitarias (dermatites atópica, alergia alimentaria), doenças alérgicas parasitarias (alergia a pulgas, sarnas superficiais, cheyletiellose), demodicose, doenças endocrinas (hipotiroidismo, hiperglicocorticoidismo – primário ou iatrogênico), doenças da queratinização (defeitos primários, seborreia secundária), e genodermatose (sobretudo as dermatoses hereditárias que implicam em defeitos nos folículos pilosos como a displasia folicular, alopecia por diluição de cor, adenite sebácea), e neoplasias ocultas - (carcinoma de células escamosas induzido por radiação solar, outros tumores). (FARIAS, 2007)

2. TIPOS E BASES DIAGNÓSTICAS

Muitas dermatites caninas, sobretudo alérgicas e queratosseborreicas, complicam-se com Malassezia pachydermatis (dermatites por Malassezia) ou bactérias (supercrescimento bacteriano), usualmente por estafilococos.

Estes microorganismos fazem parte da flora normal da pele dos cachorros e aproveitam diferentes circunstâncias (pele úmida, excesso de sebo, etc.) para multiplicar-se acima do normal. (WILLEMSE, 1998)

Os sinais clínicos se sobrepõem aos da dermatopatia subjacente, ainda que o eritrema ou, quando se cronifica, a hiperpigmentação e liquenificação estão presentes em maior ou menor grau.

Geralmente existe certo grau de prurido, desde leve a intenso, reflexo de um incremento da ardência e coceira devida à patologia subjacente. Não obstante, em caso de prurido intenso, deve-se suspeitar de uma dermatite alérgica de base. (VIANA, 2003)

Ambos os processos costumam cursar com seborreia oleosa e um cheiro desagradável de gordura rançosa, podendo ser as lesões focais ou generalizadas, sendo freqüente a afecção de zonas ventrais corporais.

No caso de Malassezia, atualmente se considera que parte de seu mecanismo patogênico pode dever-se a uma reação de hipersensibilidade de tipo I, o que explicaria porque algumas poucos leveduras são capazes de provocar um processo inflamatório intenso.(SCOTT, 1996)

O diagnóstico se baseia na realização de citologias das áreas eritrematosas ou hiperpigmentadas, preferivelmente mediante fita adesiva, o que permite detectar a presença de um número excessivo de microorganismos.

Não existe um número concreto de bactérias ou leveduras que defina quando estas são excessivas e, hipoteticamente, quando exercem um efeito patogênico. Em geral, a presença de algumas poucas leveduras por campo de imersão num indivíduo com lesões se considera diagnóstica, enquanto no caso das bactérias o número deve superar algumas poucas dezenas. (MULLER, 2003)

Os cultivos não têm interesse diagnóstico já que a presença, em si mesma, de estafilococos ou Malassezia é normal.

2.1. Intertrigo

Também denominado dermatite do vinco, é uma inflamação do mesmo devida às condições ambientais que existem nele (calor, restos descamativos e umidade por saliva, lágrimas, etc.) que favorecem o crescimento microbiano sobre a superfície da epiderme, sem chegar a provocar infecção.

Um ponto importante nos intertrigos é determinar que germe está implicado em cada caso, já que podem ser estafilococos ou fermentos (Malassezia).

O quadro clínico não oferece dúvidas (inflamação de um vinco), conquanto as vezes a consulta do proprietário é pela presença de mau cheiro, que se deve à ação dos microorganismos sobre as secreções, conquanto pode ser atrelado inicialmente a halitose se o vinco está localizado a nível facial. (FARIAS, 2007)

Descrevem-se diferentes tipos de intertrigos, segundo o vinco afetado: o facial se observa em braquicéfalos (pequinês, bulldog) e shar pei adulto; o labial em cachorros com grande área labial (cocker, san bernardo); o corporal em cachorros obesos e filhotes de shar pei; o volume em raças com calda enroscada (bulldog); o axilar e o inguinal em todas as raças; e, mais raramente, o vulvar em fêmeas obesas com vulvas infantis por castração quando eram jovens.

O diagnóstico se baseia no quadro clínico, sendo imprescindível realizar uma citologia da lesão para determinar que germe está presente; a citologia se costuma fazer mediante fita adesiva. (FOSSUM, 2001)

2.2 Dermatite aguda úmida

Assim como as duas dermatites anteriores, caracteriza-se por um crescimento microbiano sobre a superfície da epiderme, sem chegar a provocar infecção. Denomina-se também dermatite piotraumática e hot spot (ponto quente).

O importante neste processo é entender como se produz: uma circunstância causa uma coceira intensa numa zona localizada da superfície cutânea do cachorro e ele responde mordiscando ou, menos freqüentemente, coçando essa área, o que provoca um incremento da irritação e da coceira, estabelecendo-se um círculo vicioso.

As causas mais frequentes são as pulgas e o calor repentino (inícios do verão), e são propensas as raças com pelagem densa (collie, pastor alemão, são bernardo), já que este impede a aeração na pele e provavelmente favorece o círculo vicioso (ao ficar úmida a pelagem, pelo mordiscado ou a exsudação, a pele subjacente se macera, favorece-se a multiplicação bacteriana e tudo isso leva a maior inflamação). (CONCEIÇÃO, 2000)

Portanto, caracteriza-se por ser uma lesão localizada, causada pelo próprio animal, que aparece bruscamente. Outra causa muito menos frequente de dermatite úmida é a umidade contínua do pelo. No quadro clínico destacam as características típicas da lesão: alopecia circunscrita (muito bem delimitada por pele sadia) que aparece de forma repentina, e é muito eritrematosa e exsudativa; daí seu nome, dermatite aguda úmida.

A pele costuma estar erodida, inclusive ulcerada, e pode estar coberta por uma crostra serosa. Existem algumas variantes desta dermatite. Assim, em zonas onde o animal não é capaz de mordiscar-se, coça-se, podendo surgir um processo menos exsudativo e circunscrito e mais parecido a uma foliculite superficial, com presença de pápulas. Independentemente do quadro clínico, maneja-se diagnóstica e clinicamente igual à típica. (ETTINGER, 2004)

Os casos devidos a umidade continuada só apresentam uma dermatite muito exsudativa, sem alopecia. Em raras ocasiões a inflamação causada pela atividade do cão é bem mais intensa e profunda na pele; fala-se então de foliculite piotraumática, a qual requer, diferentemente da dermatite aguda úmida, um tratamento antibiótico sistêmico.

A história do processo, lesão circunscrita de surgimento brusco, autoproduzida pelo cachorro, é o que mais ajuda no diagnóstico. Na citologia se observa um processo inflamatório agudo, com predomínio de polimorfonucleares neutrófilos, e numerosos cocos. A citologia pode ser feita mediante fita adesiva ou, em processos muito exsudativos, por impressão direta; em algumas ocasiões, se há uma crostra de serosidade, será necessário raspar se se quer obter a citologia. (GOLDSTON, 1999)

2.3. Impetigo

É uma infecção estafilocócica que afeta a epiderme, com formação de pústulas muito superficiais, justo embaixo da camada córnea, em zonas sem pelo da superfície corporal, usualmente a nível do abdomem ventral.

É típica de animais jovens, com menos de um ano, nos quais é autolimitante, citando-se também em raças de caça adultas às 24-48 horas de sair ao campo, devido a microtraumatismos na pele não protegida por pelo.

O diagnóstico se realiza com base no quadro clínico: pústulas em áreas glabras da pele de animais pré-púberes. A citologia de uma pústula intacta mostrará a presença de cocos e polimorfonucleares neutrófilos. (HILLIER, 2006)

2.4. Foliculite superficial estafilocócica

O conceito mais importante a ter em conta nesta dermatite é que, em princípio, sempre é secundária a outras dermatites (alérgicas, displasias foliculares, sarna sarcóptica, etc.) que se deve diagnosticar e tratar.

O quadro clínico típico é a presença de pápulas-pústulas foliculares (com um pelo no centro) e de lesões que evoluem a partir delas (colaretes epidérmicos e crostras).

Não obstante, outras lesões compatíveis com foliculite estafilocócica canina são as lesões em forma de olho de boi (lesão circular eritrematosa com hiperpigmentação central) e as alopecias multifocais circulares (muito similares às lesões causadas por dermatofitos). Estas últimas podem ser observadas em raças de pelo curto, pelo que há uma máxima que afirma que em cachorros, se parece tinia, provavelmente não o é, seguramente é foliculite estafilocócica. (BIRCHARD, 2005)

O diagnóstico se realiza com base no quadro clínico, suportado pela citologia de pústulas intactas, observando a presença de cocos.

Em caso de dúvida, ou quando não se encontram pústulas intactas, realiza-se um tratamento antibiótico sistêmico de umas duas semanas de duração; se há melhoria evidente é piodermite; se não, faz-se biopsias para seu estudo anatomopatológico já que certas dermatites autoimunes, como os pênfigos e penfigoides, cursam com a formação de pústulas e crostras (a existência de pus indica unicamente a existência de inflamação, não necessariamente de infecção bacteriana, como com freqüência se supõe). (DAMIANI, 1997)

2.5. Piodermites profundas

As infecções profundas se caracterizam pela presença de nódulos que se aprofundam na pele e que possuem citologicamente um conteúdo inflamatorio.

Em dependência da estrutura cutânea afetada se fala de celulite se há inflamação do tecido celular subcutâneo, paniculite se está afetado o panículo adiposo e furunculose se é uma infecção intensa da base de folículo piloso.

Freqüentemente, quando o paciente é trazido à clínica a lesão tem fistulizado, apresentando um exsudado purulento. Este tipo de exsudado só indica que há inflamação, não necessariamente infecção, ainda que de forma geral todos os processos são infecciosos salvo alguns menos frequentes como a celulite juvenil ou muitas paniculites, de natureza imunomediada. (LORENZ, 2007)

O estudo microscópico do exsudado pode ser útil para confirmar a presença de bactérias e comprovar sua morfologia (cocos ou bacilos). Não obstante, no exsudado de muitas infecções profundas, como as celulites, com freqüência é difícil observar bactérias já que seu número é relativamente escasso em relação com a elevada quantidade de células inflamatorias.

As piodermites profundas dos cães costumam estar complicadas por estafilococos e, freqüentemente, bactérias gram-negativas (Pseudomonas spp, Proteus spp, Escherichia coli). (SALZO, 2005)

Quando o tumor é circunscrito e apresenta grande quantidade de exsudado fluido, fala-se de abcesso, geralmente devido a lesões pulsantes (mordeduras, arames, espigas, etc.) .

Ainda que nem sempre, a maioria dos abcessos é de natureza séptica. Os germes causadores variam desde bactérias gram-positivas a gram-negativas, passando por anaeróbias, citando-se como bactéria mais frequente Pasteurella multocida. O exsudado costuma ser purulento, mais ou menos hemorrágico, podendo ser fétido no caso de existir anaerobios.

Os abcessos costumam se apresentar como lesões únicas, circunscritas, quentes e flutuantes à palpação. Um caso especial de abcesso é o das glândulas perianais, complicação de uma impactação não tratada das mesmas . É importante diferenciar o abcesso de glândulas perianais da furunculose anal, patologia frequente em pastores alemães, que possui uma patogenia pretensamente imunomediada e um tratamento, portanto, a base de imunossupresores. (QUINN, 2005)

Um processo mais grave é a celulite. A dermatite mais frequente que cursa com celulite é a piodermite profunda do pastor alemão, descrevendo-se também em animais jovens, de menos de 4 meses, a celulite juvenil, de origem imunomediada.

A piodermite profunda do pastor alemão é uma dermatite de origem desconhecida, provavelmente devida a uma imunossupressão com herança autossômica recessiva, que se observa em pastores alemães e seus cruzamentos. Afeta animais de média idade, tipicamente com lesões no terço posterior (pápulas, furúnculos, tumores, fístulas, úlceras), ainda que também pode afetar o tronco, as extremidades anteriores e, inclusive, a cabeça .

Devido a sua pelagem o primeiro sinal que o dono costuma observar é que o cachorro mordisca as zonas lesadas; ao remover o pelo se observa que as lesões já estão fistulizadas. É conveniente apalpar toda a superfície corporal em busca de mais lesões, geralmente presentes. (CAVALCANTI, 2005)

Outras piodermites profundas extensas podem se apresentar em cães com sarna demodécica ou com outras dermatites não tratadas, incluindo as derivadas de endocrinopatias que possam causar imunodepressão, como o hiperadrenocorticismo. Igualmente podem evoluir desde piodermites superficiais crônicas não tratadas.

Em todas as piodermites profundas anteriores é possível que haja afecção geral do paciente (febre, anorexia, decaimento, linfadenopatias, etc.). A piodermite do calo também se considera uma infecção profunda, não porque afete camadas profundas da pele, senão porque há um espessamento muito importante da camada mais superficial da epiderme (camada córnea), o que faz com que a infecção se localize longe da superfície .

Outro tipo de inflamação profunda com lesões menores seria a furunculose, que se produz como conseqüência da extensão de uma inflamação do epitelio folicular (foliculite): quando um folículo piloso infectado se rompe, libera queratina na derme o que provoca uma intensa reação inflamatoria, que é profunda já que os folículos estão inseridos na derme profunda. Podem-se observar desde furúnculos isolados, por lesão traumática do folículo por exemplo a nível da ponte nasal em cachorros de caça, furunculoses localizadas, como casos de acne canina, ou furunculoses extensas, como a que aparece na demodecia canina . (CONCEIÇÃO, 2000)

Diferentemente das lesões anteriores, as furunculoses não costumam apresentar um exsudado. A acne canina ou furunculose do focinho é uma inflamação profunda dos folículos pilosos da zona do focinho . Deve-se a um traumatismo causado por pelos curtos e rígidos que, ao ser empurrados para o folículo, criam uma reação inflamatoria contra um corpo estranho (queratina), que se infecta posteriormente. Costuma afetar animais jovens, próximos da puberdade, sendo autolimitante com o tempo na maioria dos casos. O quadro clínico (pápulas e furúnculos no focinho de um cão jovem) é muito sugestivo do processo, ainda que não se deva descartar que processos localizados nessa área possam ser de outra natureza (querion fúngico ou demodecia localizada) pelo que, em caso de dúvida, deve-se descartar mediante raspagens, cultivos, etc.

As piodermites profundas também incluem as inflamações dos pés ou pododermatite, patologias que acompanham muitas dermatites dos cães, ainda que poucas são de natureza bacteriana, destacando entre estas a furunculose interdigital e as ocasionadas por corpos estranhos, como espigas . (GUADABASSI, 2003)

A furunculose interdigital afeta com freqüência animais com pelos duros e curtos a este nível, como os bulldog. Ao caminhar, os pelos são empurrados para o interior do folículo, rompendo-se e liberando queratina, o que provoca uma inflamação intensa e uma infecção secundária, geralmente por estafilococos.

No caso de inflamações infecciosas profundas a regra a seguir é que se são localizadas costumam dever-se a corpos estranhos ou mordidas (abcessos) ou pontos de pressão (piodermite dos calos), e se são extensas a imunossupressão (piodermite profunda do pastor alemão, demodicose).

2.6. Princípios gerais do diagnóstico das piodermites

Como já se comentou, o diagnóstico de muitas piodermites se baseia na apresentação clínica da dermatite. Não obstante, a realização de citologias pode contribuir informação de muito interesse: Em pseudopiodermites se costuma obter mediante a técnica da fita adesiva, permitindo comprovar a presença de cocos ou leveduras, fundamental para eleger o tratamento mais adequado.

Em processos superficiais pustulosos se realizam citologias a partir de pústulas intactas, devendo observar a fagocitose de bactérias no caso de ser uma piodermite; a simples presença de células inflamatorias sem bactérias pode dever-se a transtornos autoimunes do tipo pênfigo ou penfigoide. Em processos profundos com exsudado purulento são de utilidade para determinar a população bacteriana presente (cocos ou bacilos) devendo lembrar que em alguns processos, como as celulites, o número visível de bactérias é escasso em relação às células inflamatorias, pelo que são difíceis de encontrar. (HILLIER, 2006)

A realização de isolamento bacteriano e provas de sensibilidade antibiótica poucas vezes é necessária, exceto em processos profundos que não respondem a uma antibioterapia sistêmica adequada em tempo, dose e fármaco (cefalosporina, fluoroquinolona, etc.).

Com relação à aplicação prática das provas de sensibilidade antibiótica, deve-se ter presente que a cepa isolada do paciente não é representativa de todos os microorganismos presentes, e que os resultados in vitro nem sempre se correlacionam com os resultados a nível clínico.

3. TRATAMENTO

Um ponto fundamental ante qualquer piodermite é entender que sempre há fatores predisponentes ou doenças subjacentes, que se deve detectar e controlar, ou eliminar, para evitar recaídas. Assim, se a piodermite é secundária a uma dermatite alérgica, o tratamento adequado da piodermite eliminará a infecção em poucas semanas, mas se não se controla o processo alérgico, reaparecerá a infecção antes ou depois.

A classificação das piodermites com base na profundidade da inflamação é muito interessante clinicamente porque facilita o entendimento de que terapia eleger em cada caso.

Nas pseudopiodermites o uso diário de anti-sépticos é curativo. De igual forma, nas piodermites superficiais o uso isolado de anti-sépticos é suficiente para conseguir a cura conquanto, em certas ocasiões, como em cachorros de pelo longo com piodermites extensas, é bem mais cômodo administrar uma terapia antibiótica sistêmica. Também costumam ser preferidos os antibióticos quando o diagnóstico da foliculite não é definitivo, em cujo caso o tratamento faz parte do diagnóstico. (FARIAS, 2007)

Se se usam somente antibióticos, costuma ser necessário um período de 3 semanas de terapia (até uma semana depois da cura). Uma alternativa interessante é usar anti-sépticos tópicos e antibióticos sistêmicos ao mesmo tempo; neste caso, costuma ser suficiente cerca de 10 dias de terapia antibiótica, sempre que se mantenham os banhos anti-sépticos até a cura definitiva da piodermite.

Finalmente, nas piodermites profundas, salvo em algumas furunculoses muito localizadas, é imprescindível a administração de antibióticos sistêmicos para conseguir eliminar a infecção, porque a essas profundidades não alcançam os antibióticos nem anti-sépticos tópicos; o tratamento antibiótico costuma durar ao menos dois meses, não devendo suprimir-se até duas semanas depois do desaparecimento completo de todos os sintomas. (CONCEIÇÃO, 2000)

Para valorizar a evolução é importante manter raspadas as áreas afetadas; quando vão curando as lesões é imprescindível apalpar procurando qualquer foco de calor, indicação de que ainda persiste inflamação em profundidade. Quando já não resta nenhum foco de calor, trata-se por mais duas semanas para evitar reincidências.

Nas primeiras semanas se recomenda complementar o tratamento antibiótico sistêmico com banhos anti-sépticos frequentes (2-3 vezes por semana) e fazer diariamente lavagens anti-sépticas (clorexidina a 0,05-0,10% ou povidona iodada a 1%) das fístulas.

3.1. Anti-sépticos

Em processos superficiais extensos se usam shampoos a base de clorexidina ou peróxido de benzoila, 2-3 vezes por semana ao início; a pele deve estar em contato com o shampoo de 5 a 10 minutos, antes do enxágue.

O mais prático é o de clorexidina a 3%, já que é efetivo não só frente a estafilococos, senão também contra Malassezia, e há muitos casos em que ambos os agentes patogênicos complicam o quadro clínico do paciente. Ademais, é um shampoo normalmente bem tolerado, diferentemente do de peróxido de benzoila, que pode ser irritante em cerca de 5% dos pacientes. (LLOYD, 2007)

Quando na dermatite somente participam estafilococos, é suficiente uma concentração de clorexidina de 0,5%. O shampoo de peróxido de benzoila, a 2,5%, é preferido quando há afecção folicular, por sua capacidade de limpeza dos folículos pilosos; limita seu uso seu poder irritante e o fato de que a longo prazo resseca muito a pele por ser um potente desengordurante; este último efeito pode ser evitado usando formulações que o combinem com hidratantes.

Em lesões circunscritas de tamanho não muito extenso é prático o uso de povidona iodada a 5-10%.

3.2. Antibióticos

Empiricamente, pode ser utilizada com sucesso uma grande variedade de antibióticos na maior parte das piodermites bacterianas: cefalosporinas de primeira geração, penicilinas resistentes às penicilinases, lincosamidas, macrólidos e fluoroquinolonas, somente para citar os mais usuais.

A eleição de um ou outro pode depender de muitos fatores, desde a gravidade e profundidade da piodermite, até as características do antibiótico, como seu espectro de ação, preço, efeitos secundários, freqüência e via de administração, resistências ao mesmo, etc. Assim, os aminoglicosídios seriam uma excelente eleição se não fosse pelos graves efeitos secundários que têm nas prolongadas terapias necessárias em muitas piodermites. (LLOYD, 2007)

Uma primeira classificação prática, com base no tipo de piodermite, divide os antibióticos em dois grandes grupos: Aqueles adequados para um tratamento empírico de uma piodermite não complicada: macrólidos, lincosamidas e sulfamidas potenciadas.

Os adequados em piodermites recorrentes ou que não responderam à eleição anterior: cefalosporinas de primeira geração, penicilinas resistentes às penicilinases e fluoroquinolonas. No entanto, ao final, a escolha de um ou outro depende basicamente de duas circunstâncias: seu preço e a freqüência de administração. Com base nestes dois parâmetros o autor costuma usar: Em animais que somente podem receber uma dose diária, enrofloxacina a uma dose de 5 mg/kg a cada 24 horas via oral ou subcutânea, que pode duplicar-se ao início de tratamentos de piodermites profundas graves; em animais de grande porte que guardam herança genética à susceptibilidade, uma opção economicamente interessante é a apresentação a 5% aplicada via subcutânea; não obstante, há casos em que provocam reações nodulares no ponto de injeção, em cujo caso será necessário procurar alternativas que possam ser administradas uma única vez ao dia, como a cefpodoxima (5-10 mg/kg via oral cada 24 horas) ou a clindamicina (11 mg/kg via oral cada 24 horas). (LUCAS, 2005)

Se o paciente pode ser tratado duas vezes ao dia, a cefalexina é uma eleição prática, a dose de 20 mg/kg, ou inclusive 30 mg/kg em piodermites profundas, via oral cada 12 horas. Em piodermites superficiais se comprovou que a administração da dose total de cefalexina numa só dose diária equivale em eficácia que sua divisão em duas doses (MULLER, 2003).

Tanto as cefalosporinas de primeira geração como as fluoroquinolonas mostraram eficácias elevadas, superiores a 90%, em diversos estudos publicados de piodermites caninas, e uma percentagem de resistências in vitro inferior a 5% nos estudos de sensibilidade dos estafilococos isolados destas piodermites.

Na tabela adjunta se resumem as doses descritas classicamente na literatura dos principais antibióticos disponíveis no Brasil para as piodermites caninas, bem como algumas recomendações recentes bem mais elevadas.

 

Antibiótico Doses clássicas Recomendações recentes

Amoxicilina – ácido clavulânico 12,5-25,0 mg/kg c8-12h 22 mg/kg c12h
Cefadroxila 10-22 mg/kg c12h
Cefalexina 15-30 mg/kg c12h 22 mg/kg c8h - 33 mg/kg c12h
Clindamicina 11 mg/kg diários, numa ou duas doses 10 mg/kg c12h
Enrofloxacina 5 mg/kg c24h 10 mg/kg c12h
Lincomicina 22 mg/kg c12h
Marbofloxacina 2 mg/kg c24h 5 mg/kg c12h

4. ABORDAGEM DAS PIODERMITES RECORRENTES

Os clínicos devem buscar o diagnóstico das possíveis doenças cutâneas subjacentes persistentes. Uma vez identificadas, devem ser tratadas a longo prazo de forma regular. Em clínica, a dermatite atópica é a doença subjacente diagnosticada com maior freqüência. Deve-se tratar cada um dos episódios de piodermite recorrente. O objetivo do tratamento a longo prazo inclui a prevenção dos episódios de piodermite recorrente ou a diminuição da freqüência de recorrência.

O termo piodermite idiopática recorrente é usado somente depois de se haver estudado o restante das vias. (lucas, 2005)

4.1. Objetivos do tratamento a Longo Prazo

O clínico deve gerar expectativas realistas no proprietário e assinalar as diferenças entre o controle e a cura da doença. O tratamento de manutenção durante tempo suficiente para assegurar a cura é o núcleo do tratamento da piodermite. A piodermite superficial deveria ser tratada um mínimo de 3 semanas (ao menos 1 semana além da cura clínica) e a profunda deveria compreender um período mínimo de 6 semanas (ao menos 2 semanas além da cura clínica aparente).

Métodos para Prevenir ou Diminuir a Freqüência de Recorrência

É provável que o tratamento tópico com shampoos antibacterianos seja benéfico, mas os proprietários tendem a interrompê-lo. Pode-se usar um tratamento imunomodulador complementar com preparações a base de bactérias mortas. Os regimes extensos de tratamento antibiótico são populares mas deveriam ser tidos como um último recurso, sobretudo quando aumenta a preocupação pelas resistências. (ETTINGER, 2004)

Tratamento Tópico com Shampoos Antibacterianos

Seu uso se fundamenta na diminuição das bactérias de superfície, limitação da colonização e diminuição da freqüência de recorrência. Os agentes ativos são a clorexidina, peróxido de benzoila, peróxido de benzoila e enxofre, triclosan, e lactato de etila. Em clínica, recomenda-se banhos duas vezes por semana.

Tratamento Imunomodulador

Seu uso se fundamenta na estimulação da vigilância imunitária e alteração da resposta a alergênicos bacterianos para diminuir a recorrência. Staphage LysateR - SPL - (Delmont Laboratories, Swarthmore, Pennsylvania, USA) feito com cepas humanas de Staphylococcus aureus, sorotipos I e III, contém grandes quantidades de proteína A e é o único produto respaldado por dados duplo cego e com controle de placebo segundo DeBoer. (SPINOSA, 2006)

Regimes Antibióticos Prolongados

Fundamentam-se na diminuição da recorrência ao prevenir a reinfecção. O risco principal é a geração de resistências. Muitos consideram que a opção de desagem mais lógica é a de três dias consecutivos por semana (dose completa). Os antibióticos de eleição são a cefalexina, cefpodoxima, enrofloxacina, marbofloxacina, outras fluoroquinolonas, e amoxicilina potencializada com clavulanato.

4.2. Falhas de Tratamento em Piodermites Recorrentes

A falha do tratamento pode ter várias causas, incluindo a falta de identificação ou tratamento efetivo das causas subjacentes, duração inadequada do tratamento antibiótico, mau cumprimento por parte do cliente, e a resistência aos antibióticos.

5. PIODERMITE POR PSEUDOMONAS

Até o momento as infecções por pseudomona eram consideradas habituais em otite externa ou média de caráter crônico, ou como complicador de piodermites profundas, juntamente com bactérias coliformes. O isolamento de Pseudomona aeruginosa como único agente etiológico de piodermites superficiais é um achado extremamente raro.

Não obstante, recentemente se publicou um trabalho (Hillier 2006) em que se analisam os padrões de apresentação clínicos e histopatológicos de 20 cachorros com piodermite afetados unicamente por pseudomona aeruginosa. As conclusões são as seguintes:

Sua apresentação é extremamente dolorosa e afeta principalmente o tronco do animal.
O padrão das lesões inclui: pápulas eritrematosas, bolhas hemorrágicas e lesões crostrosas/ulcerativas.
O tratamento de eleição foram as fluoroquinolonas durante 3-4 semanas.
As bactérias bacilares nem sempre se evidenciaram em Citologia.
A histopatologia mostrou um padrão severo de foliculite-furunculose perfurante.

5.1. S.INTERMEDIUS MULTIRRESISTENTE: UM PROBLEMA EMERGENTE.

Publicou-se nos últimos anos vários artigos sobre a incidência crescente do isolamento na Europa e nos Estados Unidos de S.pseudointermedius multirresistente (MRSP), isto é resistente ao menos a cinco grupos diferentes de antibióticos, incluindo meticilina, cefalexina e enrofloxacina. O gene MECA foi identificado em todos os casos como o gene encarregado de conferir a resistência aos antibióticos B-lactâmicos.

Ao ser confirmada esta tendência crescente na detecção de bactérias multirresistentes, implicadas não só em casos de piodermites profundas, senão também em piodermites superficiais recidivantes, talvez deveria variar-se o enfoque terapêutico atual, e considerar a realização de antibiogramas como uma ferramenta indispensável na eleição do antibiótico para o tratamento de piodermites de longa duração. (CERRUTI)

Este problema rebaixa o âmbito da dermatologia veterinaria e se deveria enquadrar como uma prioridade em saúde pública, desde o ponto de vista das zoonoses, já que experimentalmente foi demonstrada a possível transferência de material genético, que confere resistência frente aos antibióticos, entre Staphylococcos de diferentes espécies animais, incluído o homem.

CONCLUSÃO DA MONOGRAFIA OU DO TCC - TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Em cães, as piodermites são patologias muito frequentes podendo superar a quarta parte das consultas dermatológicas caninas segundo alguns estudos.

Tradicionalmente se considerou que as piodermites são infecções bacterianas, geralmente purulentas, da pele, causadas majoritariamente por estafilococos, principalmente S. intermedius. Não obstante, hoje em dia é necessário questionar este conceito e abrir o ângulo de visão para adaptar-se à prática clínica diária e incluir nelas as dermatites causadas por Malassezia spp.

Seguindo a classificação clássica, podemos diferenciar as piodermites em três grandes grupos com base na profundidade da inflamação na pele. Um primeiro grupo inclui as pseudopiodermites, processos inflamatórios da superfície da epiderme nos quais só existe um crescimento de germes sobre esta, sem infecção. Desde sempre se consideraram como pseudopiodermites a dermatite aguda úmida e o intertrigo; não obstante, hoje em dia teria que incluir nelas os crescimentos excessivos de estafilococos ou de leveduras (Malassezia) que complicam com elevada freqüência as dermatites alérgicas e os transtornos queratosseborreicos dos cães.

O segundo grupo compreende as piodermites superficiais. Neste caso, já há infecção dos epitélios superficiais, bem da epiderme (impetigo) ou dos folículos pilosos (foliculite superficial), usualmente por estafilococos.

O último agrupa as piodermites profundas, afetando neste caso a infecção à derme ou hipoderme. Nestas patologias com freqüência participam outras bactérias, além de estafilococos.

É muito importante ter em conta que a maioria das piodermites é secundária, sendo numerosas as circunstâncias que predispõem à infecção: fatores físicos (traumatismos, corpos estranhos, ...), malformações anatômicas (vincos), parasitas externos (demodecia, escabiose), transtornos pruriginosos (dermatites atópica, reações adversas aos alimentos), da queratinização epidérmica (seborreia) ou folicular (displasias foliculares), endocrinopatias (hipotiroidismo, hiperadrenocorticismo), etc.

 

Veja também outros temas de monografias de Medicina Veterinária:

A dermatofitose

Publicado em 21/10/2011

 
COPYRIGHT