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DERMATOFITOSE CANINA

 

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RESUMO

As dermatofitoses são micoses superficiais nas quais a infecção por parte dos fungos afeta as camadas superficiais da pele, o pelo e as unhas. Em geral se reserva o termo dermatofitose para os processos causados por agentes como Microsporum e Trichophyton que são capazes de digerir e utilizar a queratina para desenvolver-se, mas há outros agentes como Candida e Malassezia que também podem dar lugar a micoses superficiais. Descreveram-se mais de 20 espécies de fungos queratonofílicos, capazes de produzir infecções ou invasões dermatofílicas, mas se reduzem praticamente a três as implicadas na maioria dos quadros clínicos observados nos cães: Microsporum canis, Tricophyton mentagrophytes e Microsporum gypseum.

Palavras-chave: Dermatofitose canina, Cães, Dermatologia Canina

INTRODUÇÃO

Podem ser isolados diferentes tipos de fungos e leveduras saprófitos, tanto dos cães que têm um manto com aspecto normal, como dos que padecem de doenças cutâneas. Também podem ser isolados dermatófitos da pele e pelo de cachorros sem lesões cutâneas, no entanto estes não devem ser considerados como próprios da pele e pelo dos animais em condições normais. (ZAITZ, 1998)

O tipo de dermatófito e a proporção com que são isolados dependem ou variam com as zonas geográficas, coincidindo em algumas ocasiões a presença de mais de um dermatófito sobre o mesmo animal e sendo M. canis o causador da maior parte das dermatofitoses caninas e felinas. Também existem variações de incidência da dermatofitose segundo se trate de climas quentes e úmidos (maior incidência) ou climas frios e secos. Por outra parte, a estacionalidade também é um fator de variação, assim nos cães de nossa área geográfica M. canis é mais frequente no período de outubro a fevereiro e menos frequente de março a setembro. M. gypseum é mais abundante de julho a novembro e aparece menos freqüentemente de dezembro a junho. Por sua vez, T. mentagrophytes apresenta a mesma incidência durante todo o ano com um pico entre novembro e dezembro. (SUTTON, 1998

É importante diagnosticar o tipo de dermatófito, já que cada um deles tem aspectos epidemiológicos característicos. Assim a origem das infecções por M. canis está quase sempre no contágio a partir de outro hospedeiro animal (um gato geralmente). As infecções por Tricophyton mentagrphytes se adquirem direta ou indiretamente por exposição ante o animal que atua como hospedeiro (na maioria dos casos é conseqüência da exposição ao contato com roedores ou suas tocas). O Microsporum gypseum é um organismo geofílico que habita solos férteis e os cachorros se contaminam ao escavar nas áreas contaminadas. Também podem se contagiar os cachorros com espécies antropofílicas por contato com pessoas infectadas. (SCOTT, 2001)

M. canis é o dermatófito que mais gravidade de contágio supõe para as pessoas, sobretudo a partir de portadores assintomáticos como os gatos de pelo longo.

A incidência das infecções por dermatófitos nos cães é baixa, mas se diagnosticam um elevado número de casos falsos, quando os clínicos se fixam unicamente nos sinais clínicos. (ROMANO, 1997)

De todas as formas, é necessário estar alerta, porque se trata de uma dermatopatia que pode ser transmitida aos seres humanos e deve ser diagnosticada com a máxima certeza.

1. FATORES QUE INTERVÊM NA INFECÇÃO

Os dermatófitos infectam os talos e os folículos dos pelos. Os fragmentos dos pelos se enchem de artrosporos e como os talos enfermos são muito frágeis se rompem com facilidade, soltando estes esporos que contaminam facilmente o ambiente (permanecem ativos no meio durante meses e inclusive anos, com o que se convertem em um reservatório de material infectante para outros animais e para os seres humanos). O contágio pode produzir-se por contato direto com os animais enfermos ou através do contato com os pelos e escamas espalhados pelo ambiente ou sobre os fomites. Para que um animal padeça de uma dermatofitose deve contatar uma quantidade mínima de esporos (a dose mínima para produzir infecção varia com o indivíduo e com as circunstancias da exposição) e devem coincidir também alguns fatores próprios do indivíduo que impeça que se desenvolva a resposta inflamatória que evitaria o desenvolvimento do processo, já que as infecções dos animais sadios são autolimitantes. (SIDRIM, 2004)

Os dermatófitos induzem uma resposta imunológica humoral (anticorpos antidermatófitos) e uma resposta celular (linfócitos sensibilizados) no hospedeiro, sendo a resposta imune celular a ativa contra a infecção, enquanto a indução de um título elevado de anticorpos antidermatófitos não protege contra a infecção.

Entre os fatores que favorecem a invasão dos dermatófitos estão: os tratamentos com corticosteroides (aceleram a extensão do processo), incompetência do sistema imunitário (alteração nas funções das células T), estresse, câncer, drogas imunossupressoras, doenças víricas, ectoparasitoses e nutrição desequilibrada. Em geral, os animais jovens têm maior risco de adquirir uma dermatofitose devido a que desenvolvem uma resposta lenta por falta de desenvolvimento de sua imunidade específica. A natureza e a intensidade da resposta inflamatória do hospedeiro determina a natureza da lesão dermatofítica. O estresse da gestação e a lactação também incrementa a susceptibilidade às infecções fúngicas. No entanto outros fatores como a existência de uma barreira mecânica cutânea intacta e o efeito antifúngico dos ácidos graxos contidos no manto lipídico da pele atuam como freio à invasão dos dermatófitos. (TORTORA, 2000)

ASPECTOS CLÍNICOS

Os dados da anamnese não são de grande ajuda quanto a estabelecer o diagnóstico da dermatofitose, a não ser que se tenha conhecimento de que haja existido uma exposição ou contato com outros animais afetados. Por outra parte o período de incubação é muito variável (4 dias a 4 semanas) e clinicamente pode apresentar-se sob diferentes aspectos. Dados interessantes que nos podem ajudar são saber se as pessoas que convivem com o animal afetado têm lesões, se existem gatos que convivem com os cães, ainda que estes sejam assintomáticos ou se o animal permaneceu nos últimos dias em algum pet shop, creche, clínica ou outro ambiente.

Não se deve esquecer na análise da história clínica que existem muitos fatores que predispoem um animal à infecção, incluindo o que seja jovem, fêmea gestante/lactente, que padeçam doenças que o debilitam, situações com sistema imunitário comprometido, nutrição inadequada e estresse em geral.

Devido a que a infecção é quase sempre folicular, o sintoma mais característico é a presença de uma ou várias zonas arredondadas alopécicas com um grau variável de descamação, pápulas e pústulas que se estendem perifericamente. Alguns cães desenvolvem a típica lesão em forma de anel com uma zona central curada e pápulas foliculares e crostras na periferia. Mas os sintomas são muito variáveis de alguns casos a outros, dependendo da interação hospedeiro - fungo e do grau de reação inflamatória desenvolvida. O prurido costuma ser mínimo ou ausente.

Por outra parte a dermatofitose pode estar complicada por uma infecção bacteriana secundária. Portanto, a dermatofitose deve ser incluida no diagnóstico diferencial de qualquer erupção anular, papular ou pustular. Outra forma de apresentação é a foliculite e furunculose simétrica facial ou nasal (fig. 2) que imita as doenças autoimunes e que são produzidas especialmente por T. mentagrophytes. Tricophyton também pode dar lugar a foliculite e furunculose afetando uma só extremidade.

Nas infecções generalizadas se podem observar quadros de seborreia com descamação gordurosa. O Querion (fig. 3) por dermatófitos é uma apresentação exudativa, bem circunscrita e de tamanho variável, uma furunculose de tipo nodular que desenvolve múltiplos tratos de drenagem. Costuma estar associada a infecções por M. gypseum ou T. mentagrophytes.

As onicomicoses são raras e costumam estar associadas a T. mentagrophytes e se apresentam como paroniquias e onicodistrofias assimétricas (um dedo ou vários dedos numa pata) (fig. 4).

Em geral, o aspecto clínico não serve para determinar o tipo de dermatófito implicado. As infecções por dermatófitos em cães costumam ser mais bem localizadas com lesões na face, pavilhão auricular, patas e cauda.

A dermatofitose é geralmente uma doença de animais jovens (menos de um ano), mas a tinha selvática (que se contagia a partir de mamíferos selvagens) aparece mais comumente em adultos, sendo M. persicolor uma das causas crescentes deste tipo de dermatofitose em diversos países. Caracteriza-se pela presença de lesões faciais escamosas, crostrosas e pápulo-pustulares, às quais seguem perda de pigmentação da trufa e do plano nasal. Quando surgem dermatofitoses generalizadas em cães adultos-idosos é preciso indagar se se está administrando alguma droga (imunossupresora ou glicocorticoides) ao paciente ou se este padece de alguma doença concomitante como neoplasias ou soluceradrenocorticismo. (TAKAHASHI, 2003)

3. DIAGNÓSTICO

3.1. Diagnóstico diferencial

Podem-se estabelecer três níveis de diagnóstico diferencial, tendo em conta a forma clínica: alopecias anulares mais ou menos localizadas, querion ou afecção ungueal.

Alopecias Anulares

As principais dermatopatias a considerar no diagnóstico diferencial são demodicose e foliculite estafilocócica, que apresentam sinais clínicos praticamente idênticos, o que não resulta estranho dada a similitude da patogenia implicada nos três processos, isto é, se desenvolvem todos a partir de uma infecção folicular.

A foliculite estafilocócica superficial, especialmente quando adquire a forma de zonas anulares alopécicas, eritematosas e exfoliativas confluentes, confunde-se com a dermatofitose. Outras causas produtoras de lesões anulares alopécicas, crostras e grau de inflamação variável são: pênfigo foliáceo, pênfigo eritematoso, dermatite, DAPP, alergia alimentar, dermatite seborreica, dermatite pustular subcorneal, várias formas de foliculites eosinofílicas e alopecia areata, conquanto neste último processo, a pele não manifesta sinais inflamatorios. (MENDLEAU, 2002)

As seborreias complicadas com piodermas estafilocócicas e hiperqueratoses dos Cocker podem ser confundidas com uma dermatofitose devido ao tipo de lesão e a que as descamações oleosas que se acumulam sobre as lesões podem dar falsos positivos com a luz de Wood.

Querión

Também se deve estabelecer um diagnóstico diferencial entre formas nodulares produzidas por dermatófitos. Os querion dermatofíticos devem diferenciar-se de outras formações granulomatosas como os granulomas de corpo estranho, dermatite acral por lambida, neoplasias como histiocitoma, mastocitoma e linfoma.

Onicomicose

Outra forma clínica entre a qual cabe introduzir um diagnóstico diferencial de dermatofitose, conquanto é pouco frequente, são as situações em que surgem unhas que se descamam continuamente, que são frágeis ou quebradiças ou que estão deformadas, e que ademais, podem ir acompanhadas ou não de paroniquia. Entre outras causas podem citar-se:

infecções bacterianas,
processos autoimunes,
erupções a drogas,
alterações ou desequilíbrios nutricionais e
onicodistrofias lupoides. (MACIEL, 2005)

3.2. LUZ DE WOOD

O exame do pelo com a luz ultravioleta (luz de Wood) é uma boa opção para ir aproximando-nos ao diagnóstico da dermatofitose, mas nunca se pode converter numa prova definitiva, já que podemos cometer muitos erros. O inconveniente mais grave é que nem todas as cepas de dermatófitos emitem fluorescência e no caso de M. canis chega quando muito a 50% dos casos.

Por outra parte se podem dar casos de falsos positivos ou negativos devidos à interferência que podem produzir os cremes, óleos, shampoos, compostos de iodo e outros medicamentos e bactérias como Pseudomona aeruginosa e Corynebacterium minutissimum.

A luz de WOOD é uma lâmpada de luz ultravioleta com uma onda de 253,7 nm filtrada através de um filtro de cobalto ou de níquel. Antes de utilizar a luz sobre o animal, é necessário mate-la por alguns minutos acesa e deixar a sala obscura para que a luz se tempere e estabilize e para que os olhos do clínico se adaptem à escuridão. A seguir se começa a exploração de todas as zonas com lesões e sobretudo as áreas da cabeça, face e extremidades. A cor da fluorescência a considerar como positiva é um verde semelhante ao dos relógios que permiten ver a hora na escuridão. (MANCIATI, 2002)

A fluorescencia se produz pela incidência da luz ultravioleta sobre os metabólitos de triftófano producidos por algumas cepas de dermatófitos, mas não se cria fluorescência nem sobre as hifas do fungo nem sobre os esporos.

Os metabólitos se produzem unicamente quando os fungos estão crescendo no interior dos talos dos pelos, e não quando o crescimento micótico tem lugar sobre as escamas, unhas ou placas de cultivo. Portanto a fluorescência realmente positiva deve-se observar ao longo dos talos dos pelos. A fluorescência emitida pelas escamas da camada córnea da pele, as unhas ou os restos crostrosos, é falsa. A presença de fluorescência suspeita de ser emitida por um dermatófito deve confirmar-se mediante a observação ao microscópio dos pelos ou, preferivelmente mediante cultivos micológicos.

3.3. Observação direta de pelos ao microscópio

Não é muito recomendável como método de rotina. Os pelos são examinados ao microscópio depois de tê-los submetido a uma digestão com uma solução clareadora como hidróxido de potassio (KOH) a 10%, lactofenol de Amam ou Clorofenolaco. Em caso de utilizar KOH é preciso deixar repousar a preparação por 30 minutos ou esquentar mediante passes pelo fogo (evitando superaquecimento) para favorecer a digestão. Deve-se ser muito cuidadoso no manejo de soluções como as mencionadas, já que o KOH e os compostos fenólicos podem danificar as lentes do microscópio, pelo que é necessário utilizar sempre coberturas sobre estas preparações.

Analisando os pelos com o objetivo 10X poderemos observar o estado da cutícula do pelo e comprovar que os pelos infectados são mais largos, têm aspecto lanoso, seus limites são irregulares e a superfície parece coberta de detritos. Com o objetivo de imersão se podem observar múltiplos acúmulos de esporos esféricos recobrindo os talos pilosos que lembram pequenos rácimos de uvas. A interpretação é difícil devido à presença de resíduos e à complexa estrutura dos talos dos pelos normais. (OLIVARES, 2003)
Esta técnica se utiliza somente para observar o aspecto dos talos que deram fluorescência suspeita à luz de WOOD e que posteriormente se cultivarão para confirmá-la.

3.4. Cultivo micológico

É o método de eleição para diagnosticar a dermatofitose, mas a técnica deve ser desenvolvida cuidadosamente para evitar resultados falsos positivos ou falsos negativos. Deve-se tomar uma amostra adequada e limpa, o meio de cultivo deve ser manejado e mantido corretamente e as colônias suspeitas que tenham crescido devem ser identificadas microscopicamente.

Coleta de amostras

Pode-se fazer a coleta de amostras arrancando com pinças os pelos que tenham dado positivo à luz de Wood ou os que se encontrem na periferia de uma lesão suspeita, que seja recente e que se esteja expandindo. Pode-se recortar o pelo na zona lesada até 0,5 cm (tesoura de n.° 10) e depois limpar com uma gaze ou algodão empapados em álcool a 70%, dando golpes leves (não esfregando) e se deixa secar ao ar. Os pelos obtidos assim podem servir tanto para a observação direta ao microscópio como para cultivar.

Resulta mais efetiva a coleta de amostras mediante a técnica de Mackenzie, que consiste em passar uma escolva de dentes ou um bocado de carpete estéril pelas zonas em que se observam as lesões ou por todo o corpo do animal.

Se as amostras devem ser das unhas ou zonas interdigitais (em casos de onicomicose), deve-se proceder a um recorte do pelo da zona e a uma limpeza com álcool 70%. (PIER, 1998)

Os meios de cultivo

Os mais utilizados são o Sabourau clássico e o Dermatophite Teste Medium (DTM). O primeiro deles é mais ao gosto dos especialistas micológicos porque lhes permite um melhor estudo da morfologia das colônias, mas o DTM é o meio de eleição para os clínicos. O DTM está constituído basicamente por agar-destrose-Sabourau, cicloeximida, gentamicina e clorotetraciclina (como inibidores das bactérias e de fungos saprófitos) e por um indicador de pH (o vermelho fenol) que se torna de cor vermelha quando o meio se alcaliniza. A maioria dos dermatófitos cresce no DTM em 10 dias, cultivando-os na ausência de luz a 30° C e 30% de umidade. Não obstante, devem observar-se durante 14 dias.

As colônias de dermatófitos são sempre de cor branca, nunca verde, marrons, ou de várias cores e devido a que os dermatófitos estão adaptados a crescer sobre a queratina da pele, metabolizam preferencialmente as proteínas do meio produzindo metabólitos alcalinos que fazem tornar o meio de cor vermelha. A maioria dos saprófitos utiliza os compostos de carboidratos em primeiro lugar, produzindo metabólitos ácidos e permanecendo o meio de cor amarela. No entanto, isto nem sempre é assim e alguns fungos saprófitos preferem metabolizar proteínas e o meio se torna também de cor vermelha (Scopulariopsis, Blastomyces dermatitidis, Sporothrix schenckii, H. capsulatum, Cocidioides immitis, Pseudoallescheria boydii e alguns Aspergillus). Pelo contrário, é muito difícil que os dermatófitos cresçam sem que se produza uma mudança de cor vermelha no meio DTM. (PIERARD, 1996)

Também se deve levar em consideração que os fungos não dermatófitos que cresçam no meio, uma vez que tenham esgotado os compostos carboidratados, começam a metabolizar a proteínas e portanto induzirão uma mudança de cor do DTM ao vermelho, conquanto isto não ocorrerá antes de 10-14 dias. Portanto, o meio deve ser observado diariamente para evitar erros. O meio DTM é muito bom, mas não é perfeito e para evitar más interpretações é imprescindível ter em consideração as seguintes normas:

— As colônias suspeitas de ser dermatófitos devem ser sempre brancas.
— O DTM se tornará vermelho quando a colônia comece a ser visível.
— Deve observar-se o meio diariamente durante duas semanas e comprovar que o micelio vai crescendo ao mesmo tempo que muda a cor do meio para vermelho.
— Todas as colônias suspeitas (inclusive as que tem uma morfologia típica ainda que não tenham feito virar o meio) devem ser estudadas e identificadas microscopicamente.

Confirmação microscópica das colônias

Cada tipo de fungo cresce com colônias características segundo os meios de cultivo e pode ser identificado definitivamente observando a morfologia das micro e macroconidias. A seguir se indica a forma com que se deve proceder para a identificação, mas ante qualquer dúvida e, sobretudo, quando não se tem experiência é melhor que seja um especialista quem identifique a colônia.

Para identificar um fungo se toma um pedaço de papel transparente, de aproximadamente 2 centímetros e se coloca sua parte adesiva suavemente sobre a superfície da colônia a identificar, pegando uma mostra da colônia que está crescendo e esporulando. Depois se coloca a tira adesiva sobre uma gota de corante azul algodão. Põe-se uma gota de corante em cima e se coloca uma cobertura sobre a preparação. A seguir se pode olhar ao microscópio em busca das macroconidias que caracterizem o dermatófito. Em caso que não se observem as macroconidias será necessário cultivar a colônia durante mais uma semana e voltar a preparar outra amostra com o papel (MORIELLO, 2004)

3.5. BIÓPSIA

Não é um método tão sensível como o cultivo em DTM para o diagnóstico definitivo das dermatofitoses. A análise histopatológica tem especial interesse nos casos de formas nodulares (querion e pseudomicetoma ou forma granulomatosa), já que é difícil cultivar o dermatófito em tais quadros a partir de pelos ou escamas.

4. TRATAMENTO

Dos estudos levados a cabo nos últimos anos se desprende que na maioria dos animais sadios, a dermatofitose é um processo autolimitante e a longo prazo se resolverá inclusive sem tratamento. No entanto, é conveniente tratar aos animais para:

— Encurtar o curso da infecção minimizando a gravidade e duração das lesões.
— Impedir ao máximo a disseminação do material infectante pelo meio ambiente que rodeia o animal, evitando que se formem reservatórios contaminantes para outros animais e para o homem.

Portanto um bom protocolo para o tratamento deve incluir:

• Tratamento tópico, para destruir o material infectante e prevenir a disseminação sobre o meio.
• Tratamento sistêmico, para reduzir o tempo de infecção que sofre o animal.
• Tratamento do ambiente, para prevenir as recorrências da infecção ou a disseminação a outros animais ou pessoas. (ROCHETE, 2003)

4.1. Tratamento tópico

Pode-se aplicar somente sobre as áreas que apresentam lesões ou sobre todo o corpo. A este respeito se deve indicar que, nas pessoas os esporos infectantes podem cultivar-se a partir de amostras obtidas de zonas afastadas mais de dez centímetros das zonas com lesões apreciáveis, e nos animais, nem todas as lesões são visíveis, sobretudo quando os animais têm pelo longo, portanto pode haver esporos infectantes em áreas não lesadas. Por conseguinte, o mais recomendável é a realização de tratamentos tópicos de todo o corpo. Se se deseja fazer um tratamento tópico o melhor será utilizar produtos que se apliquem por todo o manto em forma de banhos.

— Solução de sulfeto de cal: É uma das formas mais inócuas e efetivas, sendo muito seguro em cães, mas seu odor pode ser um complicante. Aplica-se a cada 3 dias.
— Eniconazol: É um excelente produto e de ação muito rápida contra os pelos infectados e esporos de Microsporum canis. É talvez a melhor solução tópica para utilizar em pacientes caninos. Em gatos se tem descrito verdadeiro grau de toxicidade como conseqüência de ingestão do produto por lambida (problemas que se evitam se se impede que o gato lamba o manto enquanto esteja molhado com a solução). Deve-se aplicar a cada 3 dias em solução a 2%. (MORIELLO, 2004)
— Cetoconazol: De ação mais lenta que os anteriores. Pode ser algo irritante e se deve aplicar a cada 3 dias.
— Clorexidina: Em forma de shampoo ou solução. É um bom produto, mas não ataca os fungos dos pelos infectados com a mesma intensidade que o faz o sulfeto de cal ou enilconazol. Esta solução pode produzir irritação forte dos olhos e também toxicidade sistêmica quando as soluções são muito concentradas (recomenda-se utilizar de 0,02% a 2%).

Não é necessário tosquiar ou cortar o pelo do cachorro, sobretudo se se trata de um indivíduo isolado; não obstante se facilita o tratamento tópico. Em todo caso, dever-se-á ter cuidado se se decide recortar o pelo do animal, pois as pequenas feridas podem ajudar a disseminar a infecção.

Se se determina a utilização de preparados tópicos para lesões muito localizadas os produtos mais utilizados são a povidona iodada, a clorexidina em creme, o clotrimazol, o miconazol e o bifonazol.

4.2. Tratamento sistÊmico

Demonstrou-se que o tratamento sistêmico encurta muito significativamente a duração e gravidade da dermatofitose e é mais benéfico para o indivíduo afetado do que para limitar a disseminação pelo área habitada pelo cachorro afetado. O tratamento sistêmico deve combinar-se com o tratamento tópico e o tratamento do meio. Os antimicóticos sistêmicos mais importantes são:

— A griseofulvina é o melhor fármaco sistêmico para tratar a dermatose na primeira intenção. É mais fungistático que fungicida e sua eficácia depende parcialmente da eficácia dos mecanismos de defesa do hospedeiro para responder à invasão do fungo. É um medicamento de preço exeqüível e ademais quase todos os enfermos com Microsporum canis e a maioria dos infectados por Tricophyton mentagrphytes se curarão com este fármaco. Mas não se deve utilizar em cães com menos de 6 semanas nem em fêmeas gestantes já que a griseofulvina é teratogênica. Nos humanos, recomenda-se que a paciente não engravide pelo menos até passado um mês após ter finalizado o tratamento.

A absorção intestinal do produto é bem mais efetiva se se administra com comida gordurosa e se o estômago está cheio, ademais se minimiza o efeito de irritação gástrica que pode provocar em alguns enfermos. Deve administrar-se durante o tempo que seja necessário até que desapareçam as lesões observáveis e preferivelmente até que o cultivo seja negativo, isto é, durante aproximadamente 6-10 semanas. A dose de produto de griseofulvina micronizada para pacientes caninos é de 50 mg/Kg/dia (melhor dividindo a dose em duas) e 10 mg/Kg/dia, se se utiliza a forma ultramicronizada. (SILVA, 1994)

— O cetoconazol é uma alternativa à griseofulvina que se reserva sobretudo para os casos de resistêcias aos Trichophyton nos cachorros. É um imidazol que atua inibindo a síntese de ergosterol da parede celular do fungo. É um produto especialmente hepatotóxico em gatos, produzindo-se algumas vezes sérios problemas de intoxicações (anorexia, vómitos, diarreia, perda de peso) mas funciona muito bem em cachorros. Alguns estudos demonstraram que existem cepas de Microsporum canis que são resistentes ao cetoconazol e que este produto não tem vantagens sobre a griseofulvina em casos normais de dermatofitose felina.

A dose recomendada para cães é de 10 mg/Kg/dia oral (melhor divida em duas doses) e deve administrar-se com o estômago cheio para favorecer sua absorção, já que precisa de um meio ácido.

— Itraconazol. É o mais recente antimicótico sistêmico da família dos triazoles e dá muito bons resultados no tratamento das dermatofitoses animais. Tem atividade fungicida e pode inibir o estágio inicial da invasão dermatofítica (evita a aderência do fungo aos queratinocitos). Sua atividade é similar e inclusive superior à griseofulvina para tratar as dermatofitoses por M. canis nos gatos e é muito bem tolerado por estes sem efeitos secundários. É um composto muito caro e a dose que se pode aplicar é 10 mg/Kg uma vez ao dia. É um fármaco que está muito indicado para o tratamento das dermatoses felinas e sobretudo para as produzidas por cepas de Microsporum canis que são resistentes à griseofulvina. (SILVA, 2003)

CONCLUSÃO

Os dermatófitos são fungos com afinidade pelo epitélio cornificado e as estruturas anexas (queratina). A maioria é composta por parasitas obrigatórios; no entanto, podem-se encontrar alguns em terra rica em queratina ou em outras terras ricas em matéria orgânica. Podem-se classificar em antropofílicos, zoofílicos e geofísicos.

A maioria dos casos clínicos em pequenos animais se deve a Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes. M. canis (hospedeiro primário do gato) e T. mentagrophytes são dermatofitos zoofílicos, enquanto M. gypseum é geofílico.

As espécies antropofílicas (por exemplo, T. rubrum) podem infectar de forma ocasional aos cachorros e gatos causando uma zoonose reversível. Considera-se, de acordo com estudos realizados nos EUA que 70% das infecções nos c˜es seriam atribuíveis a M. canis, 20% a M. gypseum e o 10% a T. mentagrophytes. Existiriam também variações estacionais e regionais relacionadas com condições de umidade e calor, favoráveis para o desenvolvimento dos dermatofitos. No Brasil, encontra-se uma maior propensão das dermatofitoses caninas com lesões visíveis se devam a M. canis (5). É possível que este valor esteja superdimensionado, já que o estudo se baseou na presença de eritrema, descamação, prurido e alopecia, características que correspondem à apresentação “clássica” de tinia, mais própria do M. canis.

M. gypseum e T. mentagrophytes, ao contrário, tendem a produzir lesões diferentes, como descrito anteriormente.

 

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A Piodermite Canina

Publicado em 21/10/2011

 
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