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TRATAMENTO PSICOLÓGICO DO ALCOOLISMO FEMININO

 

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IAlgo essencial sobre a abordagem do alcoolismo feminino é a compreensão de que é possível obter um tratamento psicológico satisfatório à margem das apreciações sobre o gênero das pessoas, mas a privacidade que afeta as mulheres sobre o tema do álcool, devido ao ajuizamento social, e relacionada com as desigualdades em razão do gênero, dificulta claramente o percurso de sua recuperação. Todos estes estudos sociais são de excelente abordagens na estruturação de monografias

Inúmeras são as consequências familiares do alcoolismo feminino que podem ser abordadas em monografias, artigos científicos ou TCC. Assim, a AC Monografia e Pesquisa para monografias realizou este artigo visando ampliar o entendimento sobre o assunto.

Quando a família se sente esgotada e pensa que as tentativas de ajuda são infrutíferas, costumam romper as relações com a mulher presa ao álcool, o qual lhe produz um duplo efeito, já que além de enfrentar sozinha seu problema fica de algum modo marcada, justamente pelo fato de estar só. Esta é uma abordagem que pode ser facilmente explorada em um projeto de pesquisa ou uma monografia na área da Psicologia.

O processo de deterioração não passa despercebido para nenhuma mulher, nem enquanto está bebendo, nem quando deixou de beber. No primeiro dos casos seu nível de autocrítica é tão baixo e seu desejo de álcool tão elevado, que não lhe permite reflexionar e atuar em conseqüência.

No segundo caso, recorda a degradação à que tinha chegado e o utiliza como instrumento ou como freio para manter-se em abstinência. Em ambas as etapas de sua vida a mulher fala de si mesma com desprezo, mas em realidade o que no fundo despreza não é a si mesma, senão ao álcool e o que este conseguiu fazer com sua vida.

Portanto, na abordagem do alcoolismo feminino em um TCC ou pesquisa de conclusão de curso, requer-se um tipo de atendimento específico, e é necessário seguir pesquisando nas características de tipo social em razão do gênero da pessoa como fatores influentes na manifestação da conduta viciante.

A MULHER ALCOÓLATRA

Numa exaustiva revisão sobre o consumo de álcool na mulher se deve ter claro que:

1. Para valorizar adequadamente os fatos, é necessário se distinguir entre o aumento do hábito de beber na mulher, a incidência de alcoolismo feminino e a incidência das bebedoras graves.

2. Que os motivos pelos quais uma mulher se converte em uma ingestora de álcool recorrente podem ser muito diversos, e com freqüência há mais de uma causa que impulsiona ao consumo parecendo-se cada vez mais ao consumo masculino, isto é, um alcoolismo unido à busca do prazer e a diversão

3 .Estudos recentes enfatizam a importância dos fatores sociais na percepção geral da mulher alcoólatra com relação ao homem, assim enquanto 50% das pessoas desaprovaria terminantemente a uma mulher alcoolizada em uma festa, somente 30% desaprovaria a um homem alcoolizado, existindo uma maior sanção social para as mulheres

4 .Outros estudos incidem na relação do consumo de drogas e o papel da mulher como mãe

5- Em definitiva, o ajuizamento social e o papel que se atribui às mulheres desenvolvem expectativas de cumprimento de um papel social que se manifesta na evolução e a conduta da alcoólatra. A partir destes enfoques, pode-se realizar excelentes monografias ou mesmo uma monografia de dissertação de mestrado de base sobre o alcoolismo feminino.

RESPOSTA ASSISTENCIAL AO ALCOOLISMO DAS MULHERES

Os problemas diversos requerem a aplicação de uma soma de diferentes remédios, e o que pode ser apto e aceitável num tempo e lugar determinados, pode ser absolutamente nefasto e inapropriado em outra situação.

Em nossos dias, os programas e/ou políticas assistenciais que não contemplem diferenças específicas no tratamento das mulheres alcoólatras contribuem a manter o ocultismo dos problemas que rodeiam a toda mulher alcoólatra. Quando estes pacientes devem normalizar sua vida, ser uma mulher alcoólatra é mais grave do que ser um homem alcoólatra. A mulher que é atendida dentro do âmbito do alcoolismo pode ter muitas mais necessidades e carências que requeiram a intervenção de outros profissionais

A burocratização supôs realmente a despersonalizaçãodo tratamento no âmbito da assistência ao alcoolismo. Pode-se afirmar que as respostas articuladas atualmente pela sociedade para as pessoas alcoólatras situam os recursos em torno de três eixos paralelos: assistencial, reabilitador e preventivo. No entanto, não existe coordenação entre os Serviços de Saúde e os Serviços Sociais, o que mostra um claro resultado da burocratização das instituições. A ausência de coordenação institucionalizada entre os diferentes serviços e programas provoca a despersonalização e parcelamento da globalidade dos problemas da pessoa. Como põem de manifesto alguns especialistas, não há nenhuma ponte entre os Centros de atendimento médico e os enfoques sociais gerais.

É evidente a diferenciação entre centros dedicados à desintoxicação e centros para a reabilitação. Desde o ponto de vista dos profissionais implicados, no momento atual, trabalha-se desde um modelo medicalizado, baseado na potenciação dos centros médico-assistenciais, como eixo fundamental do tratamento. Não há reinserção porque não está contemplada a parte social.

É notória a ausência de recursos para poder continuar com os processos de desabituação, que são bastante longos, caros e de eficácia relativa. Ocupam um lugar secundário os recursos de reabilitação e reinserção geridos por Organizações não Governamentais (ONG) e Associações. Pelo que os centros que abordam os aspectos sociais não se sentem identificados nem integrados com respeito à rede assistencial institucionalizada.

Na atual estrutura do sistema assistencial o grande prejudicado/a foi o/a enfermo/a alcoólatra, porque, tanto desde os centros médicos como desde os sócio-sanitarios os consumidores de outras substâncias absorvem grande parte do atendimento e a dedicação dos profissionais pelo grande impacto social dos consumos ilegais. Por outro lado, as pessoas alcoólicas não se identificam como toxicômanas ou dependentes de drogas, e esta questão é ainda mais patente no caso das mulheres alcoólatras.

Entende-se que para o alcoolismo seria necessária a criação de unidades específicas à margem das outras substâncias..., e dentro delas tratar separadamente as mulheres. O resultado é que a mulher alcoólatra não obtém uma resposta adequada à demanda que configura suas necessidades de gênero, porque as respostas assistenciais se dirigem de forma prioritária a toxicômanos de substâncias ilegais e homens.

As dificuldades das mulheres para aceder aos tratamentos pelo temor a que isso desvele seu alcoolismo é um fato. As mulheres recusam e temem ir aos centros. Podemos observar uma verdadeira contradição em que não haja um aumento da demanda por parte das mulheres nos centros de tratamento, numa progressão proporcional ao aumento do consumo de substâncias tóxicas no coletivo feminino. Pode-se comprovar que o consumo de álcool nas mulheres aumentou 15 pontos percentuais de 1995 a 2005. No entanto, as mulheres que foram admitidas a tratamento pela primeira vez por consumo de substâncias psicoativas diminuiu quase um ponto percentual.

Estes dados indicam que há dificuldades sérias, tanto de índole estrutural como pessoal, que impedem à mulher aceder aos centros de assistência para receber a ajuda necessária. De fato, dos discursos expressados pelos profissionais se desprende a existência não somente das barreiras burocráticas que as mulheres precisam traspassar, mas também os obstáculos que devem vencer em seu interior para encontrar a força suficiente para superá-los e ir à reabilitação.

Um apoio importante para conseguir vencer esta batalha interna poderia ser a família, mas no caso da mulher alcoólatra a família desta mantém uma atitude de ocultismo derivada da vergonha instalada pela doença da alcoólatra, ou quando menos, a vergonha pelos problemas que se originam como conseqüência das ingestões alcoólicas da mulher.

Segundo manifestam as próprias mulheres, a família de origem pressiona mais do que o parceiro para que se ponha em tratamento, e o interesse para que vá a um centro costuma ser, em definitiva, por parte da mãe ou irmãs, que ao que parece são mais capazes de forçar essa decisão.

Por sua vez, os profissionais que tratam as mulheres alcoólatras sabem que a família não colabora em muitos dos casos, e também sabem que podem existir relações violentas no casal que vão manter ocultas durante o processo de tratamento, porque nem sequer nessa situação a mulher poderá desprender-se do temor a desvelar a autêntica relação com seu parceiro. O vínculo estabelecido e a dependência para o homem, junto com o medo ao poder e à força deste, geram essas atitudes de ocultismo da realidade.

Dentro de uma rede assistencial, não especializada no atendimento à mulher, este tipo de problema pode passar despercebido, a não ser que a sensibilidade dos profissionais e seu interesse por um trabalho bem feito detecte estas situações e as trabalhe desde o ponto de vista terapêutico de maneira adequada. Caso contrário algumas intervenções poderiam resultar mais prejudiciais que benéficas.

Leia também este artigo sobre RESILIÊNCIA E PSICOLOGIA, em que se disserta sobre o indivíduo resiliente, o que se relaciona com o tema deste artigo.

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