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Uma ótima escolha como tema para monografias de Sociologia ou ainda de História seria este: o papel e a construção do ideário do negro no país. No âmbito da Sociologia, a compreensão de como a população e a cultura negra permeou e foi cerceada pelo “status quo” é um excelente tema para sua monografia e necessita do apoio de seu orientador. Já no âmbito da História a fundamentalidade desta monografia é ainda mais clara, já que não se pode falar em brasilidade e formação do povo brasileiro sem a cultura africana. Sem dúvida um ótimo tema para seu TCC. A História Oficial do Brasil destinou ao negro um espaço que começa e termina na escravidão e sobre a civilização negro-africana espalhou-se uma nuvem de esquecimento e exotismo que o senso comum reproduz em suas narrativas que ainda situam as culturas africanas e indígenas como primitivas. Abolida a escravidão, a imagem negra simplesmente some dos manuais de história e se fixa de forma perversa no imaginário. Entretanto, a compreensão clara da história do Brasil, nesses 500 anos, não é possível se não conhecermos de forma mais profunda a presença negra na sua constituição. O modo de viver, pensar e trabalhar do povo brasileiro estão impregnados da matriz africana. Desde a língua, passando pela gestualidade e pela religiosidade, é muito difícil não identificar a mão e a alma negras naquilo que denominamos cultura brasileira. Quando pensamos em comida típica, lembramos no negro. A música que nós brasileiros identificamos como nosso, seja cantarolando ou mexendo o corpo, lembra-nos o negro. As festas populares brasileiras que pintam de várias cores as nossas regiões estão encharcadas das diversas culturas africanas. No entanto, como explicar, 506 anos depois, a situação de exclusão da população negra num país onde ela representa 45,8% de seu povo? Não devemos esquecer que, assim como nossos alunos, nós mesmos fomos formados sob uma ótica voltada para valorizar o que não está em nós mas sim, o que vem de fora; até porque essa era a forma dos colonizadores europeus estarem sempre presente entre nós. É comum ouvir-se dos militantes dos movimentos negros que a "princesa Isabel assinou a lei Áurea, mas se esqueceu de assinar a carteira de trabalho". Essa afirmação é irônica, mas representa uma cruel realidade. Se lembrarmos dos trabalhos que os negros exerciam como escravos podemos nos perguntar por que então a mão de obra negra foi e é preterida em função do trabalho dos imigrantes que aportavam/aportam no país, num momento em que uma massa escrava era liberta, mas não integrada á nova realidade econômica. Essa medida tina a clara intenção de embranquecer o país e assim fugir dos estígmas formulados pela ciência da época, cujas teorias apontavam a inferioridade negra. Há notícias de que, na década de 1920, um grupo de agricultores negros estadunidenses comprou um pedaço de terra na amazônia brasileira, mas quando o governo brasileiro soube qual era sua cor, os impediu de entrar no país e devolveu o dinheiro da compra. Para os imigrantes europeus, as terras eram dadas e a sua entrada no país era até estimulada. A liberdade advinda da abolição, além de excluir, possibilitava agora à república tornar realidade o seu sonho eurocêntrico, empurrando para as periferias dos grandes centros a massa negra desempregada. Parte do processo de branqueamento do povo brasileiro, vemos no branqueamento de personalidades nacionais, de evidente descendência negra, clareando fotos e ilustrações de personagens mestiços e mulatos que, com o tempo e esforço editorial, passaram a ser brancos, como foi o caso de Machado de Assis. Quando nada disso resolvia, alternativa era tornar negros ilustres em invisíveis, dinâmica que até hoje caracteriza os meios de comunicação, os espaços acadêmicos e algumas atividades profissionais.
As expressões culturais e religiosas da matriz africana trazem processos educativos que dizem respeito ao próprio exercício das apresentações no momento da festa e dos rituais religiosos. Esses processos se revelam na música, na dança, no toque dos instrumentos e nos gestos. São elementos impressos no corpo e expressos através da prática e da tradição oral. Outra fonte de conhecimento se encontra nas organizações negras formadas no século XX, especialmente nas que se mantém na contemporaneidade, a exemplo dos movimentos negros e dos movimentos de mulheres negras. Também é necessário considerar a formação nas universidades brasileiras de Núcleos Afro-Brasileiros e similares, compostos em grande parte por acadêmicos(as) negros(as). Merece destaque a criação, em 2000, da Associação Brasileira de Pesquisadoras e Pesquisadores Negros (ABPN) que realiza encontros bianuais. O interesse de uma educação vinculada às práticas sociais e culturais aparece como relação à dominação por vias culturais, que são abraçadas com vias civilizatórias e de progresso, pautadas por uma visão linear e etnocêntrica de história e de cultura. Uma retomada de vozes que ficaram silenciadas por opressões históricas é fundamental e necessária para uma compreensão democrática de educação. Para isso é necessário tomar como imprescindível para o entendimento desses saberes os nexos entre educação e cultura, considerando que uma não existe sem a outra, ambas sendo alimentadas e alimentando-se na arte e na memória. O respeito às diferenças é um ponto crucial na construção de uma sociedade mais humana, cuja concepção de humanidade seja fundada na diversidade pois " o que nos faz mais semelhantes ou mais humanos são as diferenças". SANCHES, Neuza. "Cores do Brasil". Veja, São Paulo, 26 de março de 1997, pp. 130-132. CEAP. Violência e Racismo, 1996, Internet. SOARES, Rosângela. "Tá na cara que o Brasil é racista", in Jornal MNU, Salvador, setembro, 1997. ALBERTO, LUIZ. "Caminhando com coerência." Jornal Informativo do Gabinete. Brasília, fevereiro de 1998. ARRUDA, Roldão. "Deus é negro." O Estado de São Paulo. São Paulo, 23 de março de 1998. Lembre-se, a Monografia AC pode auxiliar você a organizar o conhecimento necessário sobre este tema e realizar monografias prontas com qualidade e confiança. Estamos preparados para efetivar sua monografia. Monografia transtornos alimentares |