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A QUALIDADE DE VIDA NA SAÚDE |
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VOLTAR PARA MAIS TEMAS DE MONOGRAFIA E TCC DE MEDICINA INTRODUÇÃOO estudo em monografias ou em TCC sobre a percepção da Qualidade de Vida na Saúde, apesar de não ser raro, sofre pela falta de definições mais claras para o estabelecimento de paradigmas formativos sobre a temática. A Organização Mundial de Saúde,no ano de 1994, propôs uma definição de consenso para a Qualidade de Vida (QV): “Percepção do indivíduo sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores no qual ele vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e interesses”. Por sua vez, Horley, citado por Mairynk et al, define a Qualidade de Vida (QV) como a relação entre a idoneidade das circunstâncias materiais e os sentimentos da pessoa a respeito dessas circunstâncias. No Dicionário Aurélio define-se A Q V como o conjunto de condições que contribuem para tornar a vida agradável e valorativa. A Qualidade de Vida (QV) da população foi objeto de controvérsias e área de interesse de múltiplas disciplinas (Filosofia, Bioética, Economia, Sociologia, Medicina, Enfermagem), pelo que é considerada uma construção subjetiva, interdimensional e complexa, tendo envolvimentos públicos e privados. Uma das dimensões deste conceito, que tem maior relevância para qualquer pessoa é a Saúde, de modo que com este artigo científico pretendemos aproximar-nos ao conceito de QV relacionada com a Saúde (QVRS), desde a perspectiva do paradigma da Complexidade. QUALIDADE DE VIDAA Qualidade de Vida (QV) está profundamente condicionada pelo meio cultural, e depende do conjunto de valores dos indivíduos e dos grupos sociais. Para Bernardo, esta se estrutura em dois níveis, um público (com base nos princípios bioéticos de não maleficência e justiça) e um privado (sustentado nos princípios bioéticos de beneficência e autonomia). Cada indivíduo define individual e socialmente seu próprio sistema de valores, seu conceito de vida e de qualidade e, portanto, de felicidade. Desde aí estabelece o próprio projeto de vida, estando aí seu conceito de saúde específica. Esta avaliação subjetiva descansa no balanceamento intrínseco entre aspirações e realidade de cada indivíduo, quando se encontra dotado dos elementos culturais e da liberdade de pensamento para tal análise. Os critérios de valor para qualificar a QV são construídos biograficamente e historicamente e variam entre populações ou sociedades. O referente comum seria a satisfação de necessidades básicas. Segundo Maldonado, o tema da Qualidade de Vida não é um tópico especial ou eminentemente ético ou moral, senão ontológico, é o núcleo de uma ontologia social de saúde, ademais assinala que falar de Qualidade de Vida não é oposto ou diferente de se tratar da dignidade humana implicando-se ambas recíproca e necessariamente. Portanto, a Qualidade de Vida dos seres humanos está profundamente relacionada com as condições que favoreçam modos de vida que privilegiem o ser-mais sobre o ter-mais, por estar intimamente conectada com o sentido que se tenha da mesma e com um sentimento de realização existencial. Pode ser um ideal objeto de busca contínua para o indivíduo, que se encontra em permanente mudança, e representaria um equilíbrio dinâmico entre o que se é, o que se tem e o que este representa individual e coletivamente, fazendo uso das categorias decompostas por Schopenhauer. A QV, assim é uma construção própria das ciências sociais que surge num marco de rápidos e contínuas mudanças sociais. É fruto dos processos sociológicos que dirigem uma incerta transição desde uma sociedade industrial a uma sociedade pós-industrial. Desde uma perspectiva utilitarista se quis reduzir a QV exclusivamente ao âmbito material, ao produto interno bruto - PIB - das nações, ao rendimento per capita, no entanto, pode-se entender o surgimento de uma crescente inquietude por um futuro que se apresenta cada vez mais incerto e menos previsível. Precisamente a imprevisibilidade do futuro induz o exercício da subjetividade, dando utilidade à capacidade subjetiva das pessoas. Este alarme começa a se manifestar vestindo-se num novo conceito carregado de subjetividade, mas nem por isso de inoperância, como é o da Qualidade de Vida, que cronologicamente podemos situar sua consolidação definitiva, com o início da década dos anos setenta. Precisamente o conceito de Qualidade de Vida (QV) desde sua vertente de dualidade, emerge como contestação aos critérios economicistas e quantitativistas dos quais se encontra impregnado o denominado Estado do Bem-estar. A QV ajuda a retomar a perspectiva do indivíduo, superando e envolvendo ao próprio conceito de bem-estar, destacando nesta área a espiritualidade, já que o bem-estar pleno é possível nos marcos de uma vida dotada do sentido que oferece o sistema de valores que o ser humano porta no contexto de sua sociedade e cultura, segundo afirma Delgado (10). Desde esta perspectiva, entendendo a Qualidade de Vida (QV) como síntese da razão emocional e da razão técnica, da consciência e do conhecimento, emerge a razão como integralidade. A satisfação ótima das necessidades e, portanto, a consecução de altas cotas de Qualidades Vitais é preciso procurá-las onde o subjetivo e o objetivo se fundem, com base numa concepção sistêmica e complexa da realidade, na qual a ideia de processo nos permite entender os elementos qualitativos vitais como uma realidade dinâmica, aberta e continuamente emergente, sendo este o sentido de qualquer pesquisa monográfica ou de TCC sobre o assunto. Bem como existem processos favoráveis e destrutivos que interagem para condicionar o processo saúde-doença, os componentes da Qualidade de Vida (QV) mostram-se como uma realidade complexa e sistêmica na qual há muitos elementos emergentes que podem interagir e retroagir para gerá-la e modificá-la constantemente, tanto na dimensão individual como na coletiva, com base nos princípios que sustentam o pensamento complexo: sistêmico (a realidade é unidade múltipla integrada por subsistemas em interação constante), dialógico (a realidade configurada como síntese dinâmica e integradora de contrários que se interconectam e se complementam), hologramático (o todo está imerso na parte e a parte é essencial para compreender o todo), de recursividade (as causas geram efeitos que por sua vez retroagem sobre estas e auto-organizam o todo), do caótico (a ordem tem um caos implícito, que por sua vez é criador de ordem devido à autopoiese e a alto-organização própria dos sistemas abertos), do impreciso e o inacabo do conhecimento. Compreender os elementos qualitativos de vida (QV) no âmbito da saúde requer a busca contínua de um equilíbrio dinâmico entre o conhecimento intuitivo e o racional, o qual choca com a concepção científica newtoniana-cartesiana tradicional própria de nossa civilização ocidental, na qual se privilegia o desenvolvimento do racional e intelectual (a autoafirmação, o individualismo) e se obvia o cultivo da sabedoria intuitiva (a integração) como dimensão relevante do conhecimento. Segundo a teoria geral de sistemas o mundo se concebe com base na interação e a interdependência de todos os seus fenômenos; um sistema, desde este ponto de vista, é uma unidade integrada cujas propriedades não podem ser reduzidas às de suas partes, cada sistema está organizado formando estruturas poliniveladas, compreendendo cada nível um número de subsistemas que conformam uma unidade com relação a suas partes e uma parte com respeito a uma unidade maior (18-24). Assumindo a concepção sistêmica do mundo, cada ser humano é um “holonte”, um subsistema que é ao mesmo tempo uma unidade e parte de outra, destacando-se a necessidade de conjugar e complementar a integração (o intuitivo, o gregário) e a auto-afirmação (individualidade), de forma a conseguir um equilíbrio que não pode ser estático, já que nasce da interação dinâmica de duas tendências complementares que fazem com que o sistema seja flexível e aberto à mudança. O desequilíbrio entre estas tendências, particularmente um comportamento baseado unicamente na agressividade e a competitividade, poderia condicionar uma deterioração sustentada da Qualidade de Vida (QV) e da saúde do ser. QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA À SAÚDE (QVRS)A Medicina e a Enfermagem atuais pontuam a necessidade de um modelo biomédico no qual a saúde é ausência de doença e esta, por sua vez, tem uma origem monocausal e se considera como o inadequado funcionamento dos mecanismos biológicos, excluindo os aspectos psicológicos e sociais. Por outra parte, para Arruda, o conceito holístico considera particularmente a interdependência do corpo e a mente tanto na saúde como na doença. É um conceito eminentemente dinâmico que considera a saúde como um processo ativo em busca de um equilíbrio constante e que reconhece de alguma maneira as capacidades curativas intrínsecas de todo organismo vivo, já evidenciadas com os processos autopoiéticos que podemos desenvolver. Em tal modelo, considera-se a saúde como o equilíbrio entre o corpo do indivíduo, suas emoções, sentimentos e pensamentos como algo intrínseco à qualidade de vida. Por sua vez o Hastings Center, dos Estados Unidos, um prestigioso centro de projetos de pesquisa em bioética, sustenta que a Saúde é uma experiência de bem-estar e integridade do corpo e da mente, caracterizada pela ausência de males de consideração e conseqüentemente, pela capacidade da pessoa para perseguir suas metas vitais e para funcionar em seus contextos social e trabalhista habituais. A Qualidade de Vida relacionada com a saúde (QVRS) poderia então ser definida como a percepção que tem o indivíduo dos efeitos de uma doença ou da aplicação de um tratamento, em diversos âmbitos de sua vida; em especial, das conseqüências que provoca sobre seu bem-estar físico, emocional ou social. A quantificação dos elementos qualitativos relacionados com a saúde (QVRS) deve compreender o ponto de vista do paciente e do médico ou do enfermeiro que nem sempre coincidem. Os métodos de medição da Qualidade de Vida (QV) utilizam instrumentos para medir os efeitos das intervenções na saúde em termos de status saudável, de fontes qualitativas vitais (QV) ou desta em relação com a saúde. Os aspectos qualitativos são difíceis de interpretar em termos quantitativos. Mas a análise qualitativa é indispensável para a medição, pois a partir desta é que se dá valor à medida da análise da qualidade, e o objeto da medição devem ser os atributos mensuráveis. Devem-se ter em conta o estado psíquico do paciente, sua atividade social e sensação de bem-estar. Mas existem outras perspectivas nas quais se têm em conta outros aspectos da existência, como o hábito de vida, a imagem de si mesmo, as relações pessoais, as responsabilidades e o status profissional, pelo que a Qualidade de Vida relacionada com a saúde (QVRS) tem uma característica interdimensionalidade e a identificação dessas dimensões é de grande importância na medição em conjunto da Qualidade de Vida relacionada com a saúde (QVRS). Com este enfoque destacam quatro categorias principais: o estado psíquico do ser (autonomia, capacidades físicas); É um modelo médico que enfatiza as capacidades para cumprir as tarefas cotidianas e satisfazer os papéis sociais. Este modelo supõe que existe um nível ótimo de funcionamento humano ao qual aspirariam todos os indivíduos. Mas deve ter-se em conta que uma pessoa pode estimar como satisfatório seu nível qualitativo de Vida, ainda que tenha severas limitações, pois existe nas pessoas a capacidade de adaptação às circunstâncias da vida, e o que pode ser para nós uma situação totalmente intolerável desde o ponto de vista médico, poderia resultar para um paciente como digna de ser vivida por ter como contrapeso motivações muito fortes que sustentam seu impulso vital. Nesta ordem de ideias, Sampaio aceita que sempre haverá um componente de felicidade ou hedonismo da boa vida, esse aspecto que representa a resposta subjetiva consciente de uma pessoa em termos do aproveitamento e das satisfações da vida que elegeu e das atividades e sucessos que contém. Sugere que se devem fazer descrições mais complexas da Qualidade de Vida (QV) nos âmbitos de saúde do que as utilizadas freqüentemente em programas desenhados para melhorá-la nas pessoas reais, tendo em conta os elementos essenciais de uma boa vida. Por outra parte, visto desde um enfoque positivista e linear, o questionário SF-36 é um instrumento utilizado para medir a Qualidade de Vida relacionada com a saúde (QVRS), que compreende as seguintes dimensões: função física, papel físico, dor corporal, saúde geral, vitalidade, função social, papel emocional, saúde mental e valoração pessoal da saúde, sendo o ideal obter cem (100) pontos em cada dimensão. Alguns autores consideram que o SF-36, conjuntamente com as novas versões desenvolvidas, é um instrumento muito adequado para seu uso em pesquisa e na prática clínica ou da enfermagem. Entre os idosos, a perspectiva de análise de Marin é a de considerar o envelhecimento como um evento fisiológico, que conquanto está presente ao longo de toda a vida se faz mais intenso nas últimas décadas, e se expressa em dificuldades para a adaptação tanto do organismo frente ao próprio Eu biológico e psicológico, como frente ao meio social em que se desenvolve quem atinge a terceira idade. Um dos desafios mais importantes na geriatria contemporânea é poder definir o que é o “envelhecimento sadio”, para estabelecer a fronteira entre este e o patológico. Sabemos que no envelhecimento biológico têm participação fatores como a herança, o sexo, os estilos de vida, o ambiente, estado nutricional, os níveis de rendimento e educacionais, a atividade trabalhista desenvolvida na época ativa, condições de moradia em termos arquitetônicos e familiares, entre outros. O conjunto destas e outras variáveis nos leva à elaboração do conceito Qualidade de Vida (QV), recorrendo para sua análise à proposta de Ribas. O conceito de QV considera que a subjetividade é um elemento essencial, portanto a expectativa é antes de mais nada individual. Externamente, poder-se-á afirmar que um índice qualitativo vital é melhor ou pior, mas em última instância é a própria pessoa que a valida. Na terceira idade, isto é uma crucial fonte de conflitos e, verdadeiramente, de reflexão moral. Quando se pensa em forma analógica, baseando-se nos próprios critérios, é difícil fazer justiça aos demais. Descobre-se que indivíduos gravemente limitados, vivendo vidas quase desumanas ainda nas piores circunstâncias, desejam conservá-las. Em outros casos, não se entende por que alguém deseja terminar sua vida se a juízo do observador, possui bens materiais e espirituais suficientes. Isto ocorre porque existem anomalias que conduzem a percepções errôneas que desconhecem ao outro como agente autônomo. Parte desta anomalia deriva das boas intenções ou do que se acredita como solidariedade, que conduz freqüentemente aos seres humanos a fazer o bem ao outro sem deixar-lhe a possibilidade de negar-se. A Qualidade de Vida é interdimensional, portanto não pode avaliar-se atendendo somente aos bens materiais ou ao estado de saúde. Deve compreender o estado físico, a espiritualidade, a capacidade de deslocar-se, a independência, a satisfação, isto é, inumeráveis dimensões. Não é de estranhar então, que em alguns aspectos apresente uma maior precisão que em outros, sempre tendo em conta que o que é estimado como bom, possa variar segundo o tipo de escala ou a forma de medição. Assim chegamos ao terceiro elemento do conceito: sua complexidade, produto da heterogeneidade. O quarto componente é que a QV é um conceito dinâmico, portanto, varia com o passar do tempo. Desta forma, a apreciação da Qualidade Vital que se tem aos vinte anos é diferente do presente aos quarenta ou cinquenta, não só porque mudam algumas preferências, senão porque determinadas limitações fisiológicas impõem diversos tipos de satisfações, e porque o próprio critério com que se avaliam as coisas muda. Uma monografia ou um TCC que apontasse a quantificação ou uma avaliação qualitativa que não tome em conta tal variável, perderia aspectos indispensáveis para compreender a diversidade por idades. Propõe Santin adotar este enfoque qualitativo em suas possíveis aplicações para o estudo e elaboração de políticas públicas em benefício da população de idosos, é o marco que oferece a melhor interpretação integral para abordar futuras ações com respeito à Qualidade de Vida relacionada com a saúde (QVRS). CONCLUSÃOFazem-se necessárias abordagens da Qualidade de Vida relacionada com a saúde (QVRS) desde perspectivas interdisciplinares, indo além de critérios quantitativistas, objetivos da pesquisa e lineares, com a concepção sistêmica e complexa da realidade, para configurar a rede de interações que a integram, compreendê-la e captá-la em sua essência. TEMAS E ARTIGOS DE MEDICINA E SAÚDE Esta é uma seleção de alguns artigos e temas de monografias e tcc de Medicina. Para mais temáticas, veja Monografias de Medicina OLIGOTERAPIA E TERAPIAS ALTERNATIVAS - Este artigo trata sobre a oligoterapia e aborda um pouco a prática de terapias alternativas. 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