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TRATAMENTO DA INFECÇÃO URINÁRIA EM MULHERES

 

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Este artigo visa explicitar como se aborda o tema em monografias e artigo científico.

Para propor um esquema antibiótico específico, deve-se considerar algumas situações clínicas e bacteriológicas, que vão ter implicação direta na avaliação pré e pós tratamento, bem como também no tipo e duração da terapia antimicrobiana.

1.- Determinar se se trata de uma ITU não complicada ou complicada. Considera-se a infecção urinária complicada, aquela em que existem fatores que aumentam o risco de desenvolver uma infecção urinária ou de fazê-la persistente. Entre estes fatores destaca fundamentalmente:

- Alterações anatômicas ou funcionais da via urinária.
- Caracterização ou instrumentação recente do trato urinário.
- Diabete Mellitus.
- Gravidez.
- Imunossupressão.

2.- Determinar o nível de compromisso do aparelho urinário, isto é, se estamos frente a uma bacteriuria assintomática, uma ITU baixa ou uma pielonefrite.

3.- Estabelecer se se trata de um episódio único ou isolado ou se estamos frente a uma paciente com infecções recorrentes.

4.- Tipo de pacientes especialmente em relação a idade e sexo.

MANEJO DA BACTERIURIA ASSINTOMATICA

Não existem evidências de que seja benéfico tratar a todas as pacientes com bacteriuria assintomática, no entanto, há alguns grupos de pacientes que devem ser tratados, tais como as crianças e as pacientes gestantes, pelo risco de desenvolver pielonefrite em etapas mais avançadas de sua gestação. (14).

Em geral, é suficiente com um tratamento antibiótico por 3 dias, sendo o mais importante o seguimento bacteriológico, já que a persistência da infecção, sugere a presença de uma ITU complicada. Em pacientes gestantes se recomenda um tratamento por 7 dias, com Ampicilina ou Nitrofurantoina que não são nocivos para a mãe nem o feto.

MANEJO DA ITU NÃO COMPLICADA EM MULHERES

Existem múltiplos esquemas antimicrobianos úteis em infecções urinárias não complicadas e suas diferenças radicam fundamentalmente em evitar as recorrências. Na seleção da terapia antimicrobiana, é necessário considerar os seguintes fatores:

- Espectro antimicrobiano e capacidade bactericida.
- Concentração elevada na urina por tempo prolongado.
- Efeito sobre a flora vaginal e retal.
- Efeitos secundários e custo do tratamento.

Utilizou-se esquemas com dose única de medicamentos tais como amoxicilina (15), cotrimoxazol ou fluoroquinolonas, com bons resultados imediatos, mas menos efetivos quanto a índices de cura e prevenção de recorrências do que os tratamentos por 3 ou 5 dias. (16)

Os antibióticos mais utilizados no tratamento das infecções urinárias não complicadas são: ampicilina, amoxicilina, cotrimoxazol e fluoroquinolonas. (17) Deve-se considerar que cada vez há um número maior de cepas resistentes, especialmente frente a amoxicilina e cotrimoxazol. Em um estudo efetuado sobre susceptibilidade in vitro de E. Coli isolados de ITU da comunidade, encontrou-se índices de resistência de 55 - 75% para ampicilina, 41 - 47% para cotrimoxazol, 3-5% para nitrofurantoina e 3-4% para ciprofloxacino. (C. Juliet). Isto não permite recomendar cotrimoxazol nem ampicilina para o tratamento empírico da ITU

Os esquemas mais recomendados na atualidade para a ITU baixa são:1.- Nitrofurantoina (macrocristais):- 100 mg. a cada 8-12 hrs.
2.- Fluoroquinolonas:- Ciprofloxacina: 250 mg. cada 12 hrs.- Norfloxacina: 400 mg. a cada 12 hrs.- Fleroxacina: 200 mg. diários.

Ainda que não existe acordo a respeito da duração ideal do tratamento em ITU baixa não complicada, em geral se recomenda tratamento por 3 a 5 dias. (18)

MANEJO DA S INFECÇÕES URINÁRIAS ALTAS OU PIELONEFRITE

Nas pacientes que apresentam uma pielonefrite, é preciso distinguir aquelas que podem ser tratadas de forma ambulatorial com agentes orais e as que requerem hospitalização. Os critérios para hospitalizar uma paciente com pielonefrite seriam: (19)

- Impossibilidade de realizar terapia oral por intolerância gástrica.
- Severo compromisso do estado geral com febre alta ou dor lombar intensa.
- Dúvidas no diagnóstico.
- Condições socioculturais que não garantam o seguimento das indicações.

Nos pacientes hospitalizados, os antibióticos mais utilizados são: (17)Ampicilina: 1 gr c/6 hrs. associada a Gentamicina: 1,5 mg/Kg peso cada 8 hrs. Cefalosporinas de terceira geração. Ciprofloxacina: 500 mg cada 12 hrs. E.V

O tratamento parenteral se mantém por 48 a 72 hrs. e depois se continua com terapia oral por um mínimo de 14 dias, com algum dos antibióticos recomendados para o tratamento oral dos pacientes com pielonefrite:

- Ciprofloxacina: 500 mg. a cada 12 horas.
- Norfloxacina: 400 mg. cada 12 hrs.
- Amoxicilina + Clavulânico: 500 mg. cada 8 horas.

Os pacientes que não responderam em forma favorável às 72 horas de tratamento antibiótico, requerem um estudo com ecotomografia abdominal, Pielografia EV ou tomografia, para descartar a presença de obstruções (litiase), abcessos renais ou perirrenais ou outras complicações. Esta é uma situação muito interessante para se descrever em monografias prontas sobre este tema.

MANEJO DAS INFECÇÕES URINÁRIAS RECORRENTES EM MULHERES

A maioria das mulheres com ITU não complicadas recorrentes, não têm anormalidades do trato urinário, e os exames como Pielografia EV ou cistoscopia não são de grande utilidade, já que somente 5% delas mostra lesões corregíveis. No entanto, recomenda-se o estudo urológico quando exista o antecedente de dois episódios de pielonefrite ou existam suspeitas de fatores de risco, tais como urolitiase.

O manejo antimocrobiano destas pacientes consiste em utilizar tratamento profilático com antibióticos, o qual demonstrou grande efetividade na diminuição das recorrências destas pacientes. (20)

Este tratamento está indicado em pacientes que tenham tido 3 ou mais episódios de ITU ao ano, tratadas com antibióticos e em que se tenha demonstrado erradicação da infecção depois de cada um deles. Utilizou-se diferentes esquemas de tratamento profilático, sendo o mais utilizado o contínuo, que consiste na administração de uma dose diária, por um período de 6 meses, de algum dos seguintes antimicrobiano:

- Nitrofurantoina: 50 a 100 mg. à noite
- Cotrimoxazol: 1 comprimido à noite
- Cefalexina 250 mg. à noite.

Também existe o esquema pós-coital, que se utiliza naquelas pacientes em que existe uma clara relação entre sua atividade sexual e o desenvolvimento da infecção urinária e que não precisam de uma terapia contínua.

Em mulheres pós-menopáusicas são frequentes as reinfecções que se associam à presença de resíduo pós-miccional por prolapso vesical ou uterino. Também o déficit de estrógenos nestas pacientes altera a flora vaginal normal e favorece a colonização por E. Coli. Estas pacientes se beneficiam com o uso de estrógenos de forma tópica. (21)

CONCLUSÃO

Pode-se considerar infecção urinária à presença de microorganismos capazes de produzir infecção na urina e/ou nos diferentes órgãos que formam o aparelho urinário. Desde o ponto de vista clínico e por sua localização, podem dividir-se em dois grupos: infecções das vias urinárias inferiores, localizadas na bexiga (cistite), na próstata (prostatite) e na uretra (uretrite); e as infecções das vias urinárias superiores, localizadas no rim (pielonefrite).

As infecções urinárias representam uma das infecções de origem bacteriana mais frequentes na população, predominando no sexo feminino e a qualquer idade, desde os recém nascidos até os idosos. Nas mulheres se observa com uma elevada incidência, já que entre o 20 e o 30% delas apresentou ao menos um episódio em decorrência de sua vida. O pico máximo se produz com o início das relações sexuais e durante a gravidez.

Nos homens predomina nos extremos da vida, recém nascidos e a partir da sexta década da vida, quando aparecem alterações na próstata.

O agente bacteriano mais freqüentemente envolvido é a Escherichia coli, sendo assim, A preponderância de isolamentos de Escherichia coli em urocultivos de pacientes do sexo feminino não tem nada de surpreendente, e só reafirma o que continuamente se descreve na literatura médica a respeito da ocorrência das infecções urinárias com maior freqüência neste sexo, em todos os grupos etários, com a exceção de pacientes idosos com uropatias prostáticas.

A tendência atual é para o manejo ambulatório das infecções urinárias com a simplificação terapêutica, pela administração oral dos antimicrobianos e sua dosificação de uma vez ao dia, o qual permite uma melhor tolerância gástrica e evita os esquecimentos das doses várias vezes ao dia.

A vigilância bacteriológica é um dos métodos de maior utilidade no seguimento e avaliação das tendências nas variações bacterianas da sensibilidade antimicrobiana, por basear-se na determinação da freqüência, tipo de bactéria e sensibilidade da mesma.

Dado que as infecções se apresentam em pacientes, e cada um deles tem uma suscetibilidade individual e aparecem em meios ecologicamente diferentes, a freqüência de isolamentos bacterianos e sua susceptibilidade variará segundo a pessoa e o lugar de procedência ou ocorrência. Este é um problema da pesquisa significativo nesta área.

Os estudos de vigilância bacteriológica têm uma validez temporária, devido à capacidade que têm as bactérias de desenvolver mecanismos de resistência aos antimicrobianos

Esta realidade conduziu à necessidade de elaborar, de maneira periódica, mapas de susceptibilidade bacteriana. As bactérias, e neste caso Escherichia coli, têm uma série de mecanismos de resistência que estão funcionando continuamente e são transmitidos de geração em geração e de espécie a espécie. Assim, abre-se campo para mais temas de monografia, tratando-se do agente etiológico específico.

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