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SÍNDROME DE LOEFFLER - EOSINOFILIAS

 

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Este artigo visa explicitar como se aborda o tema em monografias e dissertações de mestrado.

PARASITOSES E A SÍNDROME DE LOEFFLER

A função e características do eosinófilo em infecções parasitárias foi esclarecida recentemente.
Tem-se visto que estas células em presença de antígenos parasitários possuem um tempo de geração medular menor e emergem desde a medula em 18 horas. Ademais se comprovou que expressam um maior número de receptores Fc para IgE, IgG e complemento (C3b, C4), o que seria uma evidência de que o parasita influi na maturação celular. A respeito de sua função, há evidências que indicam sua tendência à destruição e/ou ao dano dos parasitas, fato observado por microscopia eletrônica.

Do exposto se desprende que o eosinófilo é capaz de gerar dano ao parasita direta e indiretamente, e de diminuir os danos desencadeados por sua presença ao modular as reações de hipersensibilidade. No entanto, uma elevação mantida e prolongada destas células e sua degranulação progressiva levaria a um dano nos tecidos. (PEREIRA, 2005)

Estudos recentes na forma de monografias e artigos cientificos atribuíram um papel muito importante ao eosinófilo na patofisiologia da asma. São numerosas as patologias associadas a eosinofilia. Entre elas devemos destacar as patologias alérgicas (asma brônquica, febre do feno e urticária), desordens gastrointestinais (gastroenterite eosinofílica, colite ulcerosa, enteropatia perdedora de proteínas), hematológicas (doença de Hodgkin, recuperação de uma linfocitose), pulmonares (eosinofilia pulmonar), eosinofilias familiares e hereditárias, pós-infecções bacterianas (estreptococcias), virais (hepatites e mononucleose infecciosa), e depois do uso de certos medicamentos como penicilina, fenobarbital, pós-irradiação e em certas mesenquimopatias.

Dentro das possíveis causas parasitárias destacam as produzidas por helmintos tissulares. Evidentemente, ao pesquisar a causa de uma eosinofilia deve-se contemplar a idade do paciente, a zona geográfica da qual procede, antecedentes mórbidos, saneamento ambiental da região onde vive, características climáticas da zona, hábitos alimentares, costumes, existência de animais domésticos, etc, sendo que todo aquele que desejar fazer uma monografia ou um trabalho de tcc sobre isso, deverá levar tais diferenças em consideração. Assim por exemplo, em estudos praticados em adultos na Clínica May (USA), atribuiu-se aos agentes parasitários somente 4% das eosinofilias estudadas, enquanto no Brasil, em população pediátrica, os agentes parasitários seriam os responsáveis por cerca de 80% das eosinofilias pesquisadas. (PEREZ, 2004)

Considera-se como eosinofilia todo aumento destas células em circulação acima de 400 cels/mm3, índice absoluto que tem maior valor do que as eosinofilias relativas ou percentuais, as quais podem aparecer como normais em presença de leucopenias ou leucocitoses. Assim, por exemplo, se poderiam considerar normais eosinófilos de 5% com leucocitose de 20 000, e em realidade neste caso existe um aumento absoluto de eosinófilos. (ALLEN, 1994)

Na fase invasora ou migratória das helmintíases, a eosinofilia é uniformemente elevada enquanto exista uma resposta tissular inflamatória mantida. Na fase crônica da infecção se podem apresentar aumentos flutuantes dos eosinófilos que, em ocasiões, persistem por meses. Na tabela 1 se resumem as parasitoses mais frequentes da América Latina, sua localização definitiva no hóspede e a quantia das eosinofilias.

Exceção feita da isosporose e de alguns casos de toxoplasmose ganglionar, os protozoários, qualquer seja sua localização, não produzem eosinofilia. Isto é válido para a amebíase, a giardíase, a balantidíase, a tripanosomíase e o paludismo. (LEDER, 2000)

Se os helmintos forem considerados em conjunto, adverte-se que os do intestino produzem uma eosinofilia discreta, o que contrasta com os vermes dos tecidos, nos quais o aumento do número de eosinófilos é considerável. E deste ponto surge um segundo conceito: as mais altas eosinofilias de origem parasitária se observam nas infecções provocadas por helmintos tissulares, isto é, naquelas infecções em que o parasita guarda uma estreita ou íntima relação com os tecidos do hospedeiro, como no caso da síndrome de Loeffler.

Entre os nematodos intestinais, a uncinaríase e a estrongiloidíase são as que apresentam eosinofilias mais elevadas. Na primeira, a eosinofilia surge ao redor de uma semana depois da infecção e, portanto, durante a migração das larvas pelo organismo. Nos casos agudos se apresentam até 6 000 a 7 000 eos/mm3, mas nos quadros crônicos é frequente encontrar índices de 3 000 a 4 000 eos/mm. (SCHWARTZ, 2002)

Algo similar ocorre na estrongiloidíase, em cujos quadros subagudos atinge entre 15 e 40%, índices que vão decrescendo à medida que a infecção se faz crônica. Na ascaridíase, quando o verme se encontra no estado adulto no intestino, pode-se observar uma ligeira elevação dos eosinófilos em um terço dos casos. Algo similar ocorre na metade dos pacientes de oxiuríase, nos quais se encontra uma eosinofilia também discreta, ao redor de 600 eos/mm3.

No grupo dos cestodos intestinais, a infecção provocada pelos vermes solitárias (Taenia saginata, Taenia solium e Diphyllobothrium spp) induzem uma eosinofilia moderada ou, mais frequentemente, não produz aumento de eosinófilos. Ao contrário, a presença de Hymenolepys nana, o menor dos cestodos que parasitam o intestino do homem e o mais frequente nos jovens e nas crianças, evolui com uma eosinofilia discreta (900 eos/mm3). Na cistercose também não se observa aumento dos eosinófilos no sangue periférico; no entanto, quando se encontram um ou mais eosinófilos no líquido cefalorraquídeo unido a um quadro neurológico, constitui um importante sinal diagnóstico da neurocisticerose. (PEREIRA, 2005)

Em resumo, as eosinofilias mais elevadas produzidas por parasitas se vão circunscrevendo, fora de algumas enteroparasitoses, ao grupo das parasitoses tissulares produzidas por helmintos.

A migração de larvas de nematodos pelo organismo desencadeia habitualmente eosinofilias muito elevadas. Esta migração pode afetar, sobretudo, ao pulmão, constituindo a síndrome de Loeffler, originado por as larvas dos parasitas que o homem é o hospedeiro principal (Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale, Necator americanus e S. stercoralis). Ademais o homem pode ser hospedeiro acidental das larvas do áscaris do cachorro e do gato, que provocam granulomas inflamatórios no fígado, pulmão, olho, encéfalo, etc., determinando um quadro de larva migrante visceral.

Nestes casos, além da síndrome infecciosa e da hipergamaglobulinemia, pode existir uma recontagem maior ou igual a 8 000 eos/mm3. Esta afecção se apresenta muito freqüentemente em pacientes pediátricos pré-escolares, contituindo uma importante causa de eosinofilia neste período da vida. (ALLEN, 2002)

Com relação a qualquer parasitose até aqui não nomeada, valem as regras gerais já enunciadas: as protozooses não produzem eosinofilia; ao contrário se apresentam nas helmintíase tissulares do homem. É provável que discretas eosinofilias se devam a infecções subclínicas provocadas por helmintos do homem ou por estados larvais de helmintos de animais domésticos, os quais, em geral, são muito difíceis de diagnosticar.

FISIOPATOLOGIA

A patologia tecidual na Síndrome de Loeffler é em grande parte relacionadas à liberação de produtos tóxicos eosinofílicos. Esses produtos incluem proteína básica principal, proteína catiônica eosinofílica, e de eosinófilos derivados neurotoxina, que danificam o epitélio respiratório, induzir ciliastase e influenciam na produção de muco.

A lesão tecidual também pode ser causada pela liberação de espécies reativas de oxigênio. A liberação de fator ativador de plaquetas e os leucotrienos contribuem para causar broncoespasmo. Em algumas formas da síndrome, como eosinofilia pulmonar tropical (TPE) e CEP, fibrose intersticial podem resultar de inflamação crônica. Comumente, o parênquima pulmonar é afetado, mas em certas síndromes extrínsecas e intrínsecas paralelas, outros órgãos podem ser afetados. (STEVENS, 2000)

A patogênese da síndrome de Loeffler é desconhecida, mas provavelmente reflete uma resposta de hipersensibilidade a um antígeno ingerido ou inalado a partir de alimentos, medicamentos, ou um agente infeccioso.

No caso de infecções parasitárias, parasitas migrantes atravessando os pulmões pode causar broncoespasmo, dispneia e infiltrações pulmonares. a embolização de ovos de microfilárias, que degeneram e expõem antígenos no sistema imune local, leva à formação de granuloma. A elaboração local de quimiocinas e citocinas desempenha um papel no recrutamento de células T e formação de granuloma. A inflamação persistente pode levar à necrose e fibrose do parênquima.
A complicação pulmonar mais comum na síndrome de Loeffler causada pela esquistossomose é a hipertensão pulmonar crônica da embolização de óvulos. (NASCIMENTO, 2002)

Alguns pacientes têm marcadas respostas imunes a filárias, enquanto outros indivíduos infectados com Wuchereria bancrofti ou Brugia malayi apresentam respostas imunes parasítico-específicas. Pacientes com a síndrome causada por filariose raramente têm sinais de filariose linfática.

Níveis elevados de imunoglobulina E (IgE) e imunoglobulina G (IgG) em pacientes com níveis de eosinofilia pulmonar refletem a ativação de células B policlonais. A enzima de Brugia malayi larval transpeptidase gama-glutaril tem semelhanças com a encontrada no epitélio pulmonar humano, sugerindo um papel patogênico para esta transpeptidase. (WHETHAM, 2003)

Em casos de estrongiloidíase, os pacientes que são imunocomprometidos, incluindo os corticosteróides sistêmicos recentemente prescritos, pode desenvolver síndrome de hiperinfecção, na qual um grande número de larvas recentemente sobe através do intestino e migram para os pulmões. Sepse e falência respiratória podem resultar da bacteremia entérica acompanhante.

Em relação às causas fúngicas da síndrome de Loeffler, a aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) é uma resposta imunológica aos antígenos Aspergillus nas vias aéreas de indivíduos com doença pulmonar obstrutiva. Ambas são IgE mediada e respostas imunes mediadas por hipersensibilidade estão ativas. (PÉREZ, 2006)

Quimiocinas recrutam células CD4+ T helper 2 antígeno-específicas para o pulmão. As respostas inflamatórias levam a reatividade da via aérea, hipersecreção de muco, danos epiteliais, bronquiectasia, pneumonia eosinofílica, e lesão parenquimatosa e fibrose. Proteases específicas do Aspergillus provavelmente também contribuem para danos nas vias aéreas. Relatou-se que outros fungos também podem causar um transtorno similar, o que levou alguns pesquisadores a sugerir renomear esse distúrbio como micose broncopulmonar alérgica.

A granulomatose broncocêntrica é a condição idiopática em que o epitélio da mucosa é suplantado por histiócitos epitelióides e, em seguida, pela formação de granuloma, sendo freqüentemente associada com casos de síndrome de Loeffler causados por ABPA. (PRATA, 2005)

Evidências crescentes sugerem uma associação com exposições inaladas e, em alguns casos, infecções. Uma associação entre a síndrome de Loeffler proveniente do hábito tabáquico tem sido relatada. Muitos pacientes têm se engajado em atividades em ambientes empoeirado, sugerindo uma hipersensibilidade.. resposta aos antígenos inalados. Tais casos também tem sido relatados após o transplante de células-tronco hematopoéticas alogênicas, coexistindo com doença do enxerto versus hospedeiro. (KLOTZ, 1998) A alveolite eosinofílica pode ser extensa, profunda e causar hipoxemia com insuficiência respiratória.

DIAGNÓSTICO

A história clínica e a exploração física são imprescindíveis para determinar as possíveis causas de eosinofilia, sendo essencial ao menos um capítulo em uma monografia, artigo científico, tcc ou dissertação de mestrado sobre a síndrome de Loeffler. A realização de um hemograma permitirá identificar a eosinofilia e conhecer o grau da mesma (HEFFNER, 1992). Ainda que a eosinofilia sanguínea não assegura uma afecção pulmonar, assim como a afecção pulmonar nem sempre se acompanha de eosinofilia, a determinação dos eosinófilos no sangue é fundamental e é preferível medi-las em valores absolutos.

É útil ter presente que os eosinófilos periféricos e tissulares dos pacientes que possuem patologias que cursam com eosinofilia apresentam certas diferenças se se comparam com os dos sujeitos sadios.

Outras determinações séricas que inclua avaliação hepática, renal e muscular, como também uma radiografia de tórax, sedimento de urina e um estudo coproparasitológico dependerão da suspeita diagnóstica (GRAVES, 2002).

Evidentemente, ao pesquisar a causa da eosinofilia deve contemplar-se a zona geográfica da qual procede o paciente, saneamento ambiental da zona de residência, características climáticas, hábitos alimentares, costumes, existência de animais domésticos, tudo isso orientará à possibilidade de uma causa parasitária (MOURA, 2003).

A migração de larvas de nematodos pelo organismo desencadeia habitualmente eosinofilias muito elevadas devido a que o parasita guarda uma estreita relação com os tecidos do hospedeiro.

As infecções parasitárias são bem mais frequentes em pacientes procedentes de regiões tropicais ou que tenham viajado às mesmas, neste contexto é quase exclusivo das infecções por helmintos (RIBEIRO, 2005).

A eosinofilia está associada especificamente à invasão e migração dos parasitas pelos tecidos, sendo o grau de eosinofilia periférica proporcional à extensão da invasão tissular. Podem originar infiltração pulmonar, com marcada dificuldade respiratória devido ao espasmo broncoalveolar como resposta à invasão parasitária, o quadro pulmonar inflamatório é transitório, com resposta alérgica local que explica e exige para seu diagnóstico, uma intensa eosinofilia periférica (ALLEN, 2004).

A eosinofilia de causa farmacológica é provavelmente a causa mais frequente em lugares onde a exposição aos parasitas é invulgar. A presença de infiltrações pulmonares e eosinofilia periférica foram associados aos AINE, sulfamidas e nitrofurantoína.

A presença de dados localizadores orientará a realização dos estudos complementares pertinentes, a realização da lavagem broncoalveolar (LBA) mediante broncoscopia será de grande utilidade para confirmar a eosinofilia pulmonar devido a que nem sempre se achará de forma concomitante uma eosinofilia periférica (VLAHAKIS, 2001).

A eosinofilia no LBA está definida pelo achado de mais de 5 % e se considera eosinofilia severa quando supera os 25 %.
A biopsia de pulmão se realizará naqueles casos em que se deva descartar a presença de infecção ou de neoplasia, ou ainda para fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças intersticiais, para confirmar a Síndrome de Chug- Strauss, e nos casos de pneumonia onde não se conhece a causa (STEVENS, 2000).

Diagnóstico clínico

O diagnóstico clínico inicial de infiltrações pulmonares com eosinofilia visando detectar ou excluir a síndrome de Loeffler se estabelece basicamente em duas situações:

a) quando o paciente apresenta infiltrações pulmonares radiológicas com eosinofilia sanguínea, e
b) quando no curso de um estudo de imagens pulmonares patológicas se objetiva eosinofilia na lavagem broncoalveolar (LBA) ou, mais excepcionalmente, no tecido pulmonar mediante biopsia. (LEDER, 2000)

No primeiro caso, a eosinofilia deve ser confirmada com o LBA, para poder falar propiamente de eosinofilia pulmonar. O protocolo diagnóstico posterior vai vir determinado pelos dados clínicos e os achados que vão surgindo no curso do estudo. Os métodos diagnósticos mais freqüentemente utilizados e citados nas bibliografias monográficas são descritos abaixo.

História clínica

Uma história clínica exaustiva proporcionará informação valiosa para orientar o diagnóstico em uma monografia. Deve-se dedicar especial atenção aos antecedentes de asma ou atopia, consumo de fármacos, viagens a países tropicais com zonas parasitárias endêmicas (sudeste asiático, Índia, África e América do Sul) e descartar, mediante a anamnese e o exame físico, a afecção de outros órgãos ou sistemas que sugiram uma afecção sistêmica.

Determinações analíticas

Hematimetria com recontagem e fórmula

É uma parte importante do diagnóstico. A eosinofilia se mede em termos absolutos e não percentuais; considera-se eosinofilia sanguínea a cifra de eosinófilos acima de 350/μl. A pneumonia eosinófila aguda e alguns casos de eosinofilia pulmonar por fármacos podem cursar sem eosinofilia sanguínea e com eosinofilia pulmonar no LBA.

Pelo contrário, a pneumonia eosinófila crônica, a eosinofilia pulmonar simples, a infecção parasitária, a aspergilose broncopulmo- nar alérgica (ABPA), a síndrome de Churg- Strauss, alguns casos de eosinofilia pulmonar por fármacos e a síndrome hipereosinófila idiopática cursam com importante eosinofilia sanguínea. (PEREZ, 2004)

TABELA 1

Métodos diagnósticos nas eosinofilias pulmonares
História clínica e exame físico exaustivo
Hematimetria com recontagem e fórmula
Parasitas em fezes
IgE total, IgE específica e precipitinas para Aspergillus
Prick teste Aspergillus e em caso de negatividade intradermorreação
Em caso de dúvida: tomografia computadorizada de tórax de alta resolução
Estudo funcional respiratório (inicialmente e durante a evolução)
LBA com fibrobroncoscopia
Recontagem e fórmula
Bk e Löwenstein
Germes oportunistas quando existe uma suspeita
Citologia para descartar malignidade
Biopsia transbronquial (em geral de pouca utilidade)
Biopsia pulmonar aberta gold standard (precisa-se em poucas ocasiões)
LBA: lavagem broncoalveolar.

Determinação de parasitas em fezes

Deve ser realizada rotineiramente. A negatividade não exclui a infestação parasitária, já que a eosinofilia pulmonar pode anteceder, em ocasiões, o surgimento dos parasitas nas fezes. Por isso, em caso de suspeita e negatividade inicial, deve repetir-se a determinação. Em nosso meio, o parasita relacionado com as eosinofilias pulmonares é o Ascaris, e outros já citados, já que o Brasil se encontra inserido nas zonas endêmicas dos mesmos. A sorologia a parasitas tem uma baixa especificidade, pela possibilidade de reações cruzadas, pelo que tem um valor relativo.

Prick teste para Aspergillus

Deve-se realizar sistematicamente para descartar ABPA, que é o processo que se dá com mais freqüência em nosso meio. A intradermorreação para Aspergillus só se efetua em caso de negatividade da primeira e sua especificidade é muito menor. (PEREIRA, 2005)

Provas sorológicas com determinação de IgE total, precipitinas e IgE específica para Aspergillus

São muito úteis para o diagnóstico de ABPA. bem como para avaliar a evolução e a resposta ao tratamento. Os valores normais de IgE com negatividade do Prick teste descartam praticamente o diagnóstico de ABPA. Pelo contrário, o aumento de IgE é inespecífico e pode estar elevado em muitos processos pulmonares.

Explorações especiais

Radiografia de tórax e tomografia computadorizada de alta resolução

Em todos os casos os doentes dispõem no momento do diagnóstico inicial de uma radiografia (Rx) de tórax simples, mas quando existem dúvidas diagnósticas é útil solicitar uma tomografia axial computadorizada de alta resolução (TACAR). Esta serve, em ocasiões, para objetivar lesões não visíveis na radiografia de tórax simples. Ademais é um instrumento de ajuda no diagnóstico da aspergilose broncopulmonar alérgica, sendo superior à radiografia de tórax para delinear a extensão e distribuição das infiltrações pulmonares e, especialmente, para demonstrar as bronquiectasias acompanhantes.
Outras características da ABPA como as tampas de muco, as atelectasias lobulares e as cicatrizes lineares podem ser também visíveis na TAC. Na síndrome de Churg-Strauss as infiltrações podem ser apreciadas melhor do que com a radiografia de tórax, mas o padrão não é específico. (GENTA, 1989)

Exames de função pulmonar

Ainda que não são específicos, podem auxiliar no diagnóstico e são especialmente úteis no seguimento do curso da doença, tendo sua citação na monografia, ou no tcc algo enriquecedor. Um projeto de pesquisa para uma monografia de dissertação de mestrado, por exemplo, poderá se fixar nesta questão em um capítulo. Costuma-se observar um padrão obstrutivo na asma, a bronquiolite obliterante, a aspergilose broncopulmonar alérgica e a síndrome de Churg-Strauss, e um padrão restritivo na pneumonia eosinófila aguda e na pneumonia eosinófila crônica.

Lavagem broncoalveolar com fibrobroncoscopia

É um elemento essencial no diagnóstico. O achado de um incremento de eosinófilos no LBA se correlaciona bem com a presença de eosinófilos no tecido pulmonar. Em alguns casos, em que o paciente não apresenta eosinofilia sanguínea, é o único método para estabelecer a afecção eosinófila do pulmão. A eosinofilia no LBA, ao invés do que no sangue, mede-se em percentagens e não em cifras absolutas; considera-se eosinofilia no LBA com valores superiores a 5%. A percentagem de eosinófilos no LBA pode resultar útil na orientação diagnóstica. (LAGACÉ, 2007)

O LBA serve, assim mesmo, para descartar tuberculose pulmonar e infecções oportunistas. Ademais se efetuará estudo citológico do LBA para descartar processos malignos. A biopsia transbrônquica com fibrobroncoscopia tem pouca utilidade, já que em geral só se obtêm pequenos fragmentos que costumam resultar insuficientes para o diagnóstico.

Biopsia pulmonar aberta

É o método mais direto para demonstrar a afecção tissular eosinofílica; nas eosinofilias pulmonares a relação de eosinófilos tissulares com respeito aos eosinófilos no sangue é de 1:1005. No entanto, deve-se reservar somente para casos com má evolução clínica ou sem diagnóstico claro. Geralmente não é necesaria na ABPA, a síndrome hipereosinófila idiopática, as reações a fármacos e as infecções parasitárias, ou seja, não se indica para pacientes acometidos pela síndrome de Loeffler. (MAIA, 2006)

Assim mesmo, na pneumonia eosinófila aguda e crônica, se o quadro é típico e responde bem aos corticoides, esta é uma prova analítica importante.

Pode ser precisa no diagnóstico da síndrome de Churg-Strauss (ainda que em certos casos esta pode ser evitada realizando biopsias de lesões mais acessíveis), a granulomatose broncocêntrica e as pneumopatias intersticiais.

TRATAMENTO

A melhor forma de corrigir uma eosinofilia é o tratamento etiológico. Na eosinofilia ocasionada por fármacos a supressão do mesmo corrige a eosinofilia (LEDER, 2000).

No caso das parasitoses é preferível remetê-los a centros de referência com maior experiência e capacidade diagnóstica antes de iniciar um tratamento empírico (GOETZL, 2000).

Nas eosinofilias relacionadas com fenômenos imunes os corticosteriodes constituem o fármaco habitual. O manejo da eosinofilia idiopática dependerá da presença ou não de compromisso visceral.

O tratamento das helmintoses que afetam o aparelho respiratório é principalmente farmacológico, reservando-se a cirurgia para a hidatidose.

Os fármacos mais utilizados são: albendazol, ivermectina, praziquantel e dietilcarbamacina. O tratamento da hidatidose pulmonar se baseia na cirurgia e/ou emprego de fármacos (albendazol e/ou praziquantel) (VLAHAKIS, 2001).

Nesta localização não é útil a estratégia PAIR (punção, aspiração, injecção e reaspiração), empregada em outras regiões anatômicas. A cirurgia está indicada primeiramente em presença de quistos de grande tamanho, localização superficial, complicações locais, afecção de estruturas vitais ou grande efeito de massa.

Independentemente da técnica empregada, existem dois aspectos importantes:

a) se é possível, o tratamento pré-operatorio (com albendazol associado ou não a praziquantel) durante um mês diminui a viabilidade do parasita e
b) é essencial evitar a disseminação de protoescólices durante a intervenção. No entanto, a utilidade do emprego intraoperatorio de substâncias protoescolicidas (etanol, soro salino hipertônico, cetrimida) não está perfeitamente estabelecida. (STEVENS, 2000)

Além de sua utilidade no tratamento pré-operatorio, o uso de antiparasitarios é uma opção adequada em casos sem as indicações cirúrgicas previamente assinaladas. O mais eficaz é o albendazol, empregado de forma isolada ou associado a praziquantel (ainda que o efeito deste último é indireto, ao aumentar a concentração daquele). Tradicionalmente se indicavam entre 3 e 6 ciclos mensais de albendazol com intervalos livres de 15 dias, ainda que estudos recentes assinalam que o tratamento continuado é mais eficaz.

PROFILAXIA

O controle integral dos agentes etiológicos parasitários da síndrome de Loeffler precisa da participação ativa da comunidade e de esforços coordenados multidisciplinares e interinstitucionais para o desenvolvimento de estratégias apropriadas.

As geo-helmintiases, em particular, requerem a integração de ações para o saneamento e outras intervenções ambientais necessárias, a provisão de água potável, a melhora da moradia e das condições de vida, a promoção de hábitos apropriados de higiene pessoal e coletiva e a introdução de normas para a produção, manejo e consumo de alimentos no âmbito familiar e comunitário.(PEREZ, 2004)

O médico e a equipe de saúde diretamente vinculado à comunidade, apresentam um papel fundamental como efetivos de ações específicas, na educação, o aconselhamento permanente e o estímulo para a incorporação de hábitos adequados por parte da comunidade, que sirvam de base para a prevenção e o controle efetivo destas e outras doenças transmissíveis.

O controle das parasitoses se baseia em três grandes conjuntos de ações:

- Tratamento, para reduzir os níveis de infecção e a morbidez
- Educação em saúde, para reduzir a infecção humana e a contaminação ambiental
- Saneamento, para controlar a contaminação ambiental

Tratamento

A identificação de casos e seu tratamento é parte da estratégia integral de controle das parasitoses, pelo benefício que obtêm os pacientes bem como pela interferência que se provoca no ciclo biológico dos agentes.

Assim mesmo se reconhece, como uma estratégia de intervenção válida desde o ponto de vista de seu custo-efetividade, a administração em massa, periódica e programada, de antihelmínticos a crianças pré-escolares e escolares de grupos ou comunidades de alto risco. O fim é diminuir os efeitos nocivos das geohelmintiases e portanto o impacto negativo no desenvolvimento infantil e de suas famílias.

Para estas ações em massa é necessário uma identificação muito precisa dos grupos candidatos e uma avaliação muito cuidadosa dos resultados esperados, tal como na seleção dos objetivos da pesquisa para a monografia sobre o assunto. Propôs-se o uso do sistema escolar como veículo de intervenção efetiva e viável, já que permite atingir o grupo com maior prevalência e morbidez com menores custos. (PEREIRA, 2005)

Educação em saúde

As medidas gerais para a prevenção e controle que devem ser particularmente promovidas, incluem: hábitos de higiene e proteção pessoais:

  • lavagem cuidadosa de mãos depois de defecar e antes de comer ou manipular e preparar alimentos
  • limitação dos hábitos de geofagia das crianças
  • limitação das áreas de recreação
  • uso permanente de algum tipo de calçado nas zonas endêmicas de estrongiloidiase, para evitar a penetração de larvas filariformes manejo apropriado do água e alimentos
  • medidas apropriadas para a obtenção, transporte, depósito e manejo de água potável
  • ferver água de consumo de procedência ou armazenagem com duvidosa qualidade sanitária
  • lavagem cuidadosa de mãos antes, durante e depois da preparação de alimentos
  • lavagem minucioso com água potável de verduras e outros alimentos
  • cocção adequada dos alimentos ( mais de 70 °C em todo o alimento durante o tempo necessário )
  • manutenção de alimentos em áreas limpas e fora do alcance de insetos, roedores e outros animais
  • proscrição da utilização de fezes ou águas de esgoto como fertilizante de hortas (PRATA, 2005)

 

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