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J2ME - CELULARES E A INCLUSÃO SOCIAL DIGITAL

 

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A LINGUAGEM J2ME

Em alguns anos após o lançamento da linguagem Java, importantíssima para a divulgação de elementos multimídia via internet, as capacidades multiplataforma da linguagem de programação supracitada e sua potência como plataforma de desenvolvimento para aplicações que poderiam ser escritas uma única vez e executadas em diversos sistemas Windows e Unix, havia despertado o interesse de usuários finais, porque viram nesta ferramenta uma maneira de reduzir os custos do desenvolvimento de softwares diversos. É possível escrever monografias e tcc com os mais variados temas envolvendo justamente como a linguagem em questão dominou o universo da programação.

Com o objetivo de conhecer as necessidades dos desenvolvedores especialistas em Windows e Motif/X-Windows para criar aplicações para usuários finais sofisticadas e necessitadas a usar interfaces ricas, Sun Microsystems rapidamente expandiu o alcance e tamanho de sua plataforma Java. Esta plataforma estendida incluiu um conjunto mais complexo de bibliotecas de interfaces voltadas para o usuário, podendo-se ampliar as capacidades de uso para a programação de applets, além de um conjunto de características de computação distribuída e de segurança melhorada no âmbito da informação. Saiba mais sobre segurança da informação

Com o tempo, a empresa Sun Microsystems liberou a primeira versão da plataforma Java 2, tendo sido necessário dividi-la em várias peças. A funcionalidade principal, estimada como o mínimo suporte requerido para qualquer ambiente Java, estava contida no Java 2 Standard Edtion (J2ME).

Muitos pacotes opcionais podem ser agregados ao J2ME para satisfazer requerimentos específicos para aplicações particulares, como extensões seguras de soquets que permitam o comércio eletrônico. Sun Microsystems também respondeu ao aumento do interesse de usar a linguagem Java para o desenvolvimento em um nível empresarial, e ambientes de servidores de aplicações com a plataforma Java 2 Enterprise Edition (J2EE), o qual incorpora novas tecnologias como servlets, Enterprise JavaBeans, JavaServer pages, etc, sendo que todas elas se prestam como objetos de pesquisa para uma excelente monografia.

Como a maioria dos softwares, os requerimentos de recursos de Java têm um incremento a cada nova versão que é lançada no mercado. Apesar do fato de que a linguagem de programação Java tem suas raízes no software para produtos eletrônicos pequenos, como celulares, smartfones, pdas, entre outros, J2ME requer muito mais memória e potência no processador para que seja uma solução viável no mercado.

Veja também este artigo sobre os Protocolos e Plataformas JAVA na TV Digital

Ironicamente, enquanto a empresa Sun Microsystems estava desenvolvendo Java para Internet e para a programação comercial, a demanda começou a crescer nos dispositivos menores e portáteis e inclusive em cartões inteligentes, retornando Java a suas raízes originais.

Sun Microsystems respondeu a esta demanda criando várias plataformas Java com funcionalidades reduzidas, sendo cada uma feita à medida de um segmento vertical e específico do mercado.

Estas plataformas reduzidas estão todas baseadas no JDK 1.1, o predecessor da plataforma Java 2, e cada uma tem uma estratégia diferente ao problema de reduzir a plataforma para acomodá-la aos recursos disponíveis. Portanto, cada uma destas plataformas de funcionalidade reduzida representam uma solução ad hoc ao problema. Por esta razão surge a plataforma J2ME, para substituir todas essas plataformas reduzidas baseadas no JDK 1.1 e criar uma única solução baseada em Java 2.

Assim, pode-se conceituar o J2ME como a versão de Java orientada aos dispositivos móveis. Devido a que os dispositivos celulares e outros móveis têm uma baixa potência de processamento e interfaces relativamente pobres para o usuário, é necessária uma versão específica de Java destinada a estes dispositivos, já que o restante das versões de programação Java, J2SE ou J2EE, não se enquadram eficientemente dentro deste esquema. J2ME é, portanto, uma versão “reduzida” de J2SE, sendo que isto serve como um problema de pesquisa.

O sucesso da linguagem de programação Java e dos diversos padrões que orbitam ao seu redor é, contemporaneamente, um fato indiscutível. Os programadores em Java são os profissionais mais demandados na área de Desenvolvimento de Software que, por sua vez, emoldura-se na mais geral disciplina das Tecnologias da Informação e as Comunicações. Ter conhecimentos de Java se converteu numa necessidade à hora de entrar neste mercado trabalhista, sendo também essencial para a compreensão da inclusão social permitida por tal flexibilidade, sendo que somente aí já está localizada uma justificativa da pesquisa sobre este tema em uma monografia ou um TCC. Não é em vão o nome da linguagem, Java, que alude a como o café de alta qualidade é conhecido no mercado norte-americano.

Os idealizadores da linguagem Java optaram em seu momento por dotar a mesma com um conjunto rico de capacidades orientadas a objetos que permitisse adicionar bibliotecas de apoio à medida que for necessário e em função das necessidades tecnológicas do momento. É por isso que Java supõe um núcleo de surpreendente consistência teórica em torno do qual gira uma multidão de bibliotecas com as mais diversas orientações: desde bibliotecas dedicadas à gestão de interfaces de usuário até aquelas que se dedicam ao tratamento de imagens bidimensionais, passando pelas que se centram em difundir informação multimídia, envio e recepção de correio eletrônico, distribuição de componentes software em Internet, etc.

Inclusão Digital pelo Celular

Algumas destas bibliotecas, apesar de sua indubitável utilidade, não são fornecidas acompanhadas de uma documentação clara e concisa a respeito de suas características e funcionamento. Em outros casos, a documentação existente é demasiadamente específica e não proporciona uma visão de conjunto que permita apreciar desde uma perspectiva geral a filosofia com que foram criadas dificultando, desta maneira, sua difusão.

As características concretas do tipo de dispositivos móveis para os quais os elementos e applets produzidos pela linguagem J2ME são produzidos, como os celulares, obrigou aos desenvolvedores de Java a construir um subconjunto da linguagem e a reconfigurar suas principais bibliotecas para permitir sua adaptação a um meio com pouca capacidade de cor, pouca velocidade de processamento, e telas de reduzidas dimensões.

A INCLUSÃO SOCIAL PROPORCIONADA PELA TECNOLOGIA CELULAR

O Brasil e os demais países da América Latina se encontram com mais ou menos os mesmos sintomas de mudança: um aumento no consumo da internet, sobretudo de banda larga (celular e fixa); o começo da implementação da TV digital, mesmo através dos celulares, o que deriva ao tema de que fazer com os sinais disponíveis no espectro radioelétrico; e o surgimento de políticas públicas em torno das telecomunicações móveis por parte dos setores público e privado em conjunto.

No ano de 2003, o livro azul "Telecommunication Policies for the Americas" da Comissão Interamericana de Telecomunicações (CITEL), que faz parte da Organização de Estados Americanos (OEA), já recomendava que:

"(...) o uso da internet a partir da tecnologia celular deveria ser promovido como elemento fundamental para obter a cobertura requerida pelas comunidades para atingir a inclusão social, muito importante por seu impacto no setor produtivo e no desenvolvimento de novos negócios".

Vários anos mais tarde, o estudo de IDC "Telecom Services Database", indica que o serviço de banda larga fixa e dados por celular seriam os principais impulsores de crescimento das telecomunicações entre os países latino-americanos, considerando dados de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Venezuela e demais países da região.

No Brasil, indica-se que durante o terceiro trimestre de 2010 houve um aumento de 17,27% em consumo de banda a partir de aparelhos celulares em relação ao mesmo período do ano anterior, completando 16,2% do total das conexões a internet.

Segundo dados da International Data Coporation para a América Latina, este ano teria um crescimento de 8% em conexões totais a internet, superando as seiscentos cinquenta milhões até o final de 2010, onde os mercados de maior crescimento serão a banda larga fixa e celular e a voz IP, os que impulsionariam a inovação no setor até 2014. A percentagem de conexões via banda larga celular, através de smartfones e/ou computadores portáteis, aumentou em 150% durante o ano de 2010, devido à implementação forte de 3G para dar aos usuários melhor acesso ao e-mail, conteúdos de informação, chat e redes sociais. No entanto, a banda larga aumentou em 20%, superando as quarenta e dois milhões de conexões na região. Para 2010, esperava-se que Chile e Brasil tivessem os maiores crescimentos da zona em termos de acesso. Quanto à telefonia celular, as conexões teriam aumentado em 8%, e a voz fixa teria diminuído em 3%.

Há novo paradigma social atualmente, onde os indivíduos precisam se manter cada mais especializados e integrados na nova sociedade. É necessário que se trabalhe em busca da difusão da participação social e a inclusão digital é uma ferramenta adjuvante para se alcançar este objetivo. Além disso, a nova sociedade globalizada exige que o conhecimento seja distribuído, superando-se barreiras lingüísticas.

Assim, a hipótese de que os projetos de inclusão digital contribuem para o aprimoramento da cidadania dos usuários não foi totalmente falsa, já que houve a conquista de um direito: a disponibilidade das ferramentas para reivindicação social. Entretanto, não basta colocar um telefone celular e um ponto eletrônico de presença e esperar que a participação pública floresça. Como dissemos anteriormente, a solução pode ser uma orientação mais aprofundada, voltada ao incentivo para a busca, o autodidatismo e a participação na Rede – questão a ser respondida em pesquisas futuras. Talvez um empurrão mais orientado seja o suficiente. Sérgio Amadeu da Silveira1 defende um método de alfabetização tecnológica que funcione como um pólo de orientação, provido de uma pedagogia que incentive a aprendizagem personalizada a partir do interesse de cada um, mas que viabilize a aprendizagem coletiva, em rede e pela rede.

De modo que as ferramentas que possibilitam o direito de expressão foram estendidas a certas camadas da sociedade, e isso já é um avanço para a cidadania na região. Entretanto, tal direito não está sendo usado efetivamente para participação pública e reivindicação dos demais direitos. Foram levados em conta, porém, outros efeitos positivos: o projeto contribuiu para a convivência e participação local entre grupos de amigos, dentro e fora da Rede; ajudou a aumentar o conhecimento geral dos moradores sobre informática; surgiu como opção de lazer; e, de uma maneira ou de outra, pareceu abrir portas para o debate.

Promover a inclusão digital e social é fundamental para o desenvolvimento econômico. O que é socialmente justo é também economicamente necessário e pode trazer benefícios tanto políticos como econômicos aos seus promotores.

O Brasil deseja mudanças que sejam capazes de criar um ambiente de promoção do crescimento econômico, que gerem emprego e renda. Um dos melhores meios para realizar essas mudanças é aproveitar o potencial da revolução digital, uma convergência de tecnologias que abaixa rapidamente o custo de processamento, armazenagem e transmissão de dados, informação e conhecimento, permitindo a inovação e a quebra de paradigmas.

As tecnologias de programação Java, especificamente J2ME, que permitem a construção de sistemas focados na telefonia celular e outros aparelhos portáteis com baixa capacidade de processamento permitiram uma revolução paradigmática no âmbito da inclusão social pois ofereceram a possibilidade de conexão e aproveitamento de modalidades de comunicação antes reservadas aos computadores de mesa ou os notebooks.

É necessário dar um grande salto. Para tanto, é preciso desenvolver uma visão estratégica definida e estabelecer prioridades e metas claras e objetivas. O uso da telemática para o desenvolvimento econômico, social e político oferece as melhores possibilidades de pagar a dívida social e possibilita ao Brasil assumir uma posição de liderança não somente na América Latina, mas no mundo, principalmente entre os países emergentes. O Brasil, aprendendo em casa, fazendo da inclusão digital uma arma para a inclusão social, econômica e política, pode ensinar outros países pelo bom exemplo e pela relevância de sua experiência. A democracia eletrônica é importante não só para o Brasil e para a América Latina, mas também para a África, para que possamos trilhar o mesmo caminho. É importante também para comprovar que o Brasil pode desenvolver soluções de classe mundial em uso de tecnologia da informação, exportáveis para os países mais avançados, como é o caso das eleições eletrônicas.

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