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CONTAMINAÇÃO POR DIOXINAS

 

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Por vezes, torna-se difícil selecionar um tema para monografias ou um TCC na área de Ciências Biológicas, devido à grande amplitude de possibilidades, de acordo com a afinidade do aluno. Porém, um tema muito interessante é aquele que trata da contaminação do meio ambiente pela dioxina gerada pelos processos produtivos humanos.

Que nenhum indivíduo vá para o seu trabalho, no caso de ser em uma indústria, pensando na quantidade de dioxinas que vai produzir nesse dia. Este contaminante orgânico persistente (COP) ao qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) outorga a duvidosa honra de pertencer à temível dúzia de produtos cardiotônicos, é um subproduto, um resíduo indesejado da combustão de matéria orgânica na presença de cloro.

Produz-se naturalmente em incêndios e erupções vulcânicas, mas sobretudo como conseqüência da atividade industrial humana. As dioxinas são liberadas para o meio ambiente e se depositam e acumulam na cadeia alimentar, principalmente no tecido adiposo dos animais. Até chegar ao final de tal cadeia, isto é, o ser humano: mais de 95% das que acabam em nosso organismo são aportadas através da ingestão alimentar, em particular carnes e leite, pescados e marisco, sendo uma excelente abordagem para a discussão em uma monografia sobre a atividade humana na natureza como problema de pesquisa.

Jogamos dioxinas no ar, mas acabam no nosso prato. A OMS marca como níveis de ingestão tolerável entre um e quatro picogramas por quilo de peso corporal em um dia. Porque todos temos “exposição crônica”: quantidades baixas ou muito baixas que vão paulatinamente se depositando em nosso organismo ao longo de uma vida.

Da mesma forma que todos possuímos nossa própria “carga corporal”: uma verdadeira concentração destes produtos químicos perigosos que chegam a ficar depositados em nosso corpo por longos períodos, de sete a onze anos, principalmente no fígado e o tecido adiposo.

Seus efeitos ocorrem a longo prazo. Existe bastante consenso em artigos científicos e demais bibliografias sobre seu poder cancerígeno, e há quem defenda seu papel na destruição endócrina, em sua capacidade para destruir nosso sistema hormonal.

Estas toxinas estão sobretudo na carne e o pescado, e fazer com que diminuam suas defesas, ainda que aí não haja tanto acordo entre os pesquisadores, sendo esta também uma área muito importante para pesquisas de mestrado e suas posteriores dissertações.

Receber muito poucos destes contaminantes durante muito tempo, que é o gênero de exposição à qual teoricamente se vê submetida a população geral dos chamados países desenvolvidos (outra coisa seria falar de trabalhadores ou vizinhos próximos a determinadas fábricas, ou em países em via de desenvolvimento), oferece consequências mais sérias e complexas.

Podem provocar problemas de reprodução, com potencial esterilidade e desenvolvimento de crises do sistema imunológico, interferir com a produção e regulação hormonais e, desse modo, causar câncer, enumera a OMS.

As dioxinas parecem favorecer o desenvolvimento de um tipo de linfoma, câncer de mama, de próstata; aumentam o risco de sofrer algumas doenças, ainda que não estão completamente confirmadas ou esclarecidas tais afirmações; também que têm relação com a diminuição do número de espermatozóides, em casos de espinha bífida, neuropatia periférica, e há estudos que a relacionam com diabetes e hipertensão.

A verdade é que até o nome da mais perigosa, a 2,3,7,8-tetraclorodibenzo-para-dioxina (TCDD), dá medo. Contudo, a sensação das políticas públicas de saúde e de proteção ambiental, não somente no Brasil mas em muitos outros países, é que a situação “está controlada”.

No entanto, o Brasil está excluído da lista dos 70 países do mundo que controlam os níveis de dioxina dos alimentos”, sendo tal afirmativa uma excelente argumentação para a justificativa da pesquisa sobre a questão em monografias.

Deveríamos estar muito mais preocupados pela contaminação humana. Habitualmente há dioxinas nos alimentos que ingerimos e nas pessoas com que nos relacionamos. Que na maioria de casos sejam em porcentagens relativamente baixas não deveriam tranquilizar as pessoas porque as acumulamos e essas concentrações se convertem em preocupantes à medida que envelhecemos. É algo que os estudos epidemiológicos desvelam com total clareza.

Com a intenção de não querer alarmar a população, pela impossibilidade de se evitar a produção de dioxina, ajudamos a criar um conformismo e uma inércia entre as pessoas e as instituições públicas, com consequências muito prejudiciais.

Além das normas de segurança na origem dos alimentos, pouco podemos fazer os consumidores para reduzir nossa dose diária de veneno dioxina. Ainda que algumas atitudes nós poderíamos tomar. Comer carnes que contenham menos gorduras, pelo próprio mecanismo de deposição, lembrando que as dioxinas são mais lipossolúveis que hidrossolúveis.

Renunciar aos fios brancos de um bife, passar a consumir o leite desnatado ou semi-desnatado. Mas sem extremos. Eliminar o azeite de oliva ou o pescado azul, como o atum, é um erro. Frutas e vegetais não contêm gordura, salvo exceções, ainda que aqui o risco pode recair nos resíduos de herbicidas. Opções? A agricultura ecológica ou a higiene.

Uma dieta equilibrada, com quantidades adequadas de frutas, verduras e cereais, contribuem para evitar uma exposição excessiva a uma mesma fonte de contaminação, sublinha a OMS como uma estrategia a longo prazo para reduzir o peso corporal. Mais importância apresentam tais atitudes em adolescentes e mulheres jovens, para proteger o feto e os lactentes, já que a mãe que amamenta transmite dioxinas a seu bebê... O que não quer dizer que tenha que substituir o leite materno, que aporta nutrientes e anticorpos fundamentais para o desenvolvimento da criança, pela amamentação.

É prioritário vigiar os níveis de dioxinas e outros contaminantes orgânicos persistentes (COP) nas rações animais, na comida humana e nas pessoas. E comunicar claramente os resultados de análises que apontem um aumento nos níveis de contaminação.

Isto é grave pois, tal como já apontado acima, há uma inatividade das entidades públicas e da sociedade em geral sobre os riscos de contaminação pelos elementos em questão, cabendo várias pesquisas e projetos para o financiamento de monografias e de TCC esclarecedores.

A conscientização é essencial porque o grande problema radica nas rações animais. E suas soluções passam por um maior controle e uma alimentação mais saudável das criações. Também para que o cidadão tome consciência do mau que reciclamos e de que boa parte do plástico derivado de nosso hiperconsumismo termina na incineradora, que produz dioxinas, que passam a nos afetar na forma de câncer, diabete, problemas de fertilidade ou alzheimer.

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